Artemísia
Saí quase correndo do escritório. Já na sala, senti uma mão segurar meu pulso. Estava pronta para xingar, achando que era Felipe, mas dei de cara com Aquiles.
— Está tudo bem?
— Sim — respondi, ignorando o traseiro dolorido que tinha acabado de ser… inaugurado.
— Preciso tomar um banho. — completei, mortificada.
— Eu já sei que você vai cheirar a Felipe sempre que te encontrar. Não se preocupe com isso. Vem.
Revirei os olhos.
Ele me levou para a cozinha. Sentei em uma cadeira enquanto o observava caminhar até a geladeira e separar os ingredientes para preparar um sanduíche.
— Onde pegou fogo agora?
— Estive pensando… não tivemos nosso encontro de irmãos este mês.
Baixei o olhar.
— Adrian está em lua de mel com Vanessa. Ficamos incompletos. — Suspirei. O encontro era um pedido da nossa mãe para nos manter conectados. Nunca havíamos faltado.
— Desculpe por ter rosnado para você. Eu sei que só quer proteger Liliane. Lembro de todas as amigas que você levou para eu conhecer, na esperança de que eu me vinculasse a uma delas.
Ele colocou um prato com o sanduíche e um copo de suco de uva à minha frente, depois se sentou diante de mim com o dele.
— O que mudou? Ainda não me explicou, por que ela não?
Peguei o sanduíche e mordi, sem querer fazer desfeita. Para minha surpresa, meu estômago aceitou bem a comida.
— Nossa família é livre. Fazemos o que queremos, quando queremos. Tão livres que às vezes esquecemos que existem outros modos de viver. Ela é uma ômega oriental. A família dela segue um sistema rígido. Eu sei o quanto ela te quer… mas será que está realmente pronta para ser expulsa do lugar onde nasceu? Para nunca mais ver a mãe, a irmã, toda a vida que conhece… por você? Sem nem saber se você é o companheiro de alma dela?
Aquiles me encarou como se eu tivesse jogado um balde de água gelada.
— Vou me controlar até ela completar dezoito anos. Depois disso, não ouse ficar entre mim e ela novamente, Artemísia.
Levantei meu copo imitando um brinde.
— Não se preocupe não é minha intenção. Quero ver o demônio de gelo domado como um cachorrinho.
Ele riu comigo.
— Agora é sua vez. Como está se sentindo tendo um companheiro?
Meu sorriso morreu.
— Estamos nos conhecendo. Ainda não sei muito sobre ele. Antes era só “o Beta”. Agora subiu para “o Beta sexy e gostoso”. Fora isso… não conheço seus gostos, suas preferências.
Lembrei de Aurin; que sabia tudo sobre mim. E eu, tudo sobre ele.
Sacudi a cabeça, tentando afastar aquele pensamento.
— Se quiser conhecer a família dele, a casa é quase vizinha à nossa. Aposto que a mãe dele deve estar se mordendo de vontade de te conhecer pessoalmente.
Engoli o último pedaço do sanduíche e comecei a me levantar.
— Hum… não quero me comprometer tanto assim.
— Posso levar vocês para dar uma volta amanhã pela manhã. Você pode ver o local da cerimônia, conhecer o território… esticar as pernas da sua loba. Do jeito que vai, daqui a pouco você não poderá mais…
Passei as mãos pela barriga, involuntariamente.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...