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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 226

Artemísia

Liliane estava virada para a parede, chorando baixinho entre soluços. Chamo por ela, mas não recebo nenhuma resposta.

Aproximo-me e a puxo suavemente para um abraço. O cheiro de Aquiles ainda está em seu corpo, recente demais, íntimo demais.

— Desculpa, Luna… acho que não posso cumprir nosso combinado.

Fecho os olhos por um breve instante.

— Não precisa me dizer mais nada sobre isso.

Não é a primeira vez que sinto o peso de ter uma alcateia inteira dependendo de mim. Ainda assim, sempre que preciso tomar uma decisão que fere alguém que amo, meu coração aperta e a culpa encontra seu caminho até mim.

Ver Liliane e meu irmão presos nesse desencontro angustiante parte algo dentro de mim.

Mas existem muitos lobos dependendo do meu acordo com o pai dela. Por isso, preciso agir com cautela.

Ela se afasta e me olha com tristeza.

— Você é uma loba inteligente. Só precisamos de mais alguns dias para que tudo caminhe como deve. Vai colocar todo o meu plano a perder, Liliane?

Ela respira fundo.

— Não. Minha família também é importante para mim.

Segundos depois, ela para de chorar. Aperta os lábios, tentando recuperar o controle.

O silêncio que se instala entre nós não é desconfortável — é pesado.

Ela se deita de frente para mim. Eu a cubro com o lençol e seguro sua mão enquanto lágrimas silenciosas escorrem de seus olhos.

— Agora eu sei como você se sente… — ela sussurra. — Às vezes parece que estamos presas entre nossos desejos e as obrigações que nos cercam.

Minha garganta aperta.

— Você nem imagina o quanto, minha amiga… nem imagina.

Permito que minhas lágrimas se juntem às dela.

Eventualmente, o cansaço vence a dor.

E adormecemos.

Pela manhã, saio na ponta dos pés para não acordá-la. Peço a uma serva que leve um bom café da manhã para ela e Lucila no quarto.

Quando entro no meu escritório, encontro as caixas com minhas encomendas abertas sobre a mesa.

Meu avô, Gustavo, está sentado atrás dela, pensativo.

Meu estômago se contrai.

— Por que abriu minhas encomendas?

Ele levanta o olhar, surpreso.

— O que é isto?

— São coisas para minha lua de mel. Agora é pecado me preparar?

— Não isso.

Ele gira a tela do computador na minha direção.

Os gráficos da alcateia oriental dos ômegas.

Finjo indiferença.

— Ah! isso. Apenas uma pesquisa. Faço muitas todos os dias.

Seu rosto endurece.

— Por que está pesquisando esses ômegas?

Cruzo os braços, mantendo a postura firme.

— Talvez precisemos de ajuda extra. As ômegas deles são as melhores.

Ele me encara com desconfiança crescente.

— E precisou estudar tudo isso para contratar alguns ômegas? Ou nossos lobos os desejam porque são fêmeas bonitas? Liliane mesmo é de lá.

Sua expressão escurece.

— Vai sacrificar todas elas? Ficou louca, Artemísia?

Seu punho b**e na mesa com força.

Não recuo.

— Não pretendo sacrificar ninguém. Mas estamos em fase de adaptação. Algumas perdas podem acontecer. Será a vontade da deusa, que forma os vínculos.

Ele respira fundo, a dor evidente em seus olhos.

— Minha companheira era uma loba real. Passou quatro dias em trabalho de parto para ter Gael… e não sobreviveu. Minha mãe também era uma loba real, Artemísia. Nem cheguei a conhecê-la.

Sua voz falha, mas ele continua:

— O que você quer fazer é mais monstruoso do que qualquer coisa que já aconteceu aqui.

Sustento seu olhar.

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