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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 227

Artemísia

— Não foi nada. Eu esbarrei...

O olhar furioso dele se volta imediatamente para Aquiles, que levanta as mãos em um gesto de rendição.

— Ei! Eu não tenho nada com isso. Foi o Gustavo.

Felipe sai imediatamente, marchando a passos largos, com uma expressão assassina, em direção ao escritório. Corro atrás dele, mas sou impedida pelos braços de Aquiles, que me seguram como uma muralha.

— Na-na-ni-na-não. — ele diz, com uma expressão divertida.

— Eles vão se matar lá em cima! — falo, indignada.

— E daí? Você se lembra da primeira gravidez que a mãe perdeu por tentar separar machos em briga? — ele responde, me arrastando para dentro do escritório e girando a chave na porta. — Já chega de bastardos nessa família.

Um estrondo ecoa do andar de cima. Seguido de gritos das fêmeas.

— Eu não estou grávida, Aquiles.

— Pelo que sei. Pode estar. Já dormiu com ele quantas vezes? — ele pergunta, caminhando até o frigobar e pegando dois refrigerantes e uma barra de chocolate. — Toma.

Ele me entrega, e fico parada, ponderando o argumento. Enquanto abro as embalagens.

— E cá entre nós, o Gustavo bem que mereceu.

Aquiles se j**a na cadeira, relaxado.

Comemos ao som da pancadaria lá fora.

— Agora, querida irmã, como conseguiu tirar o juízo do Gustavo desse jeito? O que anda fazendo naquele computador?

Não sou bem eu que anda tirando o juízo dele não.

O barulho lá em cima finalmente cessa. Graças a Selene.

— Agora não, Aquiles. Quero saber se fiquei viúva antes mesmo da cerimônia. Abre logo essa porta.

— Certo. Mas voltaremos a esse assunto, maninha.

Ele abre a porta com tranquilidade.

Corro para fora, preocupada com Felipe; e também para fugir das perguntas de Aquiles.

Encontro os dois na sala, cada um encostado em uma ponta do sofá, amarrotados e exaustos.

Vanessa e Liliane observam de longe, com expressões assustadas.

— O que vocês dois estão fazendo? Parecem filhotes em treinamento... — Adrian os repreende.

— Ele esbofeteou minha Luna. — Felipe aponta para Gustavo, ainda irritado.

Adrian gira o corpo e me olha com cautela.

Sento no colo de Felipe e examino seu lábio superior cortado.

— Eu estou bem. Foi só um tapa. Já me acertei com o avô.

— O que não sabemos é como tudo começou... — Aquiles diz, estreitando os olhos.

— Foi uma encomenda minha que chegou. Entregaram a ele por engano. Só discutimos e perdemos o controle.

Lanço um olhar de aviso para Gustavo que diz: Não diga nada.

— Claro... é que eu sou conservador, sabe? — ele responde.

Ao seu lado, Lucila limpa o supercílio sangrando dele, com um sorriso quase imperceptível.

Conservador... sei.

— Olhem só. A Lucila tem um talento natural para cuidar de feridos.

Todos voltam a atenção para ela.

— Que é isso, Luna? Assim me deixa envergonhada. — ela diz, corando.

— Ah, querida, não seja modesta. Todos estamos vendo, não é, Vanessa?

Vanessa hesita por um instante, mas entra no jogo.

— Claro. Ela poderia ser uma excelente enfermeira. Ou médica.

Abro um sorriso genuíno.

— Acredita que estamos sem curandeira em Garras de Gelo? Já sei. Quando vocês voltarem para o Norte, levarão Lucila com vocês. Vou pagar todos os estudos dela. Assim teremos uma nova curandeira aqui.

Lucila congela.

— Eu... acho que teria dificuldades, Luna. Nunca frequentei uma escola normal. Fui ensinada em casa pela minha mãe.

— Tadinha... Mas Vanessa vai conseguir uma professora dedicada lá no Norte. Será sua primeira tarefa como Luna, cunhada.

Vanessa ergue o queixo, confiante.

— Eu aceito o desafio. Tenho uma fundação voltada à educação dos jovens. Sempre foi importante para mim.

Percebo o orgulho no olhar de Adrian.

— Então está decidido.

O clima começa a se suavizar.

Sinto orgulho do meu feito. Lucila terá proteção e ensino em um lugar confiável.

Embora, pelo olhar assassino que ela me lança não esteja nem um pouquinho animada , finjo não perceber sua fúria.

Já Gustavo carrega no rosto uma expressão de alívio.

Talvez reconhecer sua segunda chance em alguém tão jovem o assuste.Ou talvez seja apenas medo. As desilusões pela sua vida tinham sido enormes.

As emoções ressurgem nele como em um garoto.

— Lucila, vá falar com seus pais. Preciso conversar com eles. Você tem poucos dias para organizar sua mudança.

Ela passa por mim de cabeça baixa, sem se despedir.

— Foi bonito o que fez por ela. Com o tempo, ela entenderá. — Vanessa diz, gentil.

— Assim espero.

Volto-me para Felipe.

— Vamos, companheiro. Precisamos conversar.

Puxo sua mão e o levo até meu quarto.

Ele se senta na cama.

Tiro sua camisa, procurando ferimentos escondidos.

Meu olhar desliza por seu corpo definido, pelos braços fortes, pela aura protetora que o envolve.

Há hematomas, mas nada grave.

Ele me observa em silêncio.

— Obrigada por ter me defendido.

— É minha obrigação. Sou seu companheiro.

bônus 87 Declarações 1

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