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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 236

Artemísia

Eu a observava. Cada movimento seu despertava em mim uma sensação estranha e intensa.

Pelos começavam a surgir na flor de sua pele; Lucila ainda era muito jovem para iniciar a transformação. Mesmo que permanecesse firme, a experiência seria brutalmente dolorosa.

— Liliane, leve a Vanessa. — Minha cunhada humana já havia se assustado o suficiente.

Ouvi o suave bater da porta atrás de mim.

Eu ainda não era Luna dela; sua loba não me obedeceria. Então, usei o método antigo: baixei um pouco a gola de sua blusa, expus meus dentes de guerra e mordi, transferindo minha essência. Ela gritava, ainda em agonia.

Olhei em seus olhos, buscando a loba.

Encontrei o brilho escondido em seu olhar; eu a sentia tremendamente raivosa, querendo escapar.

— Loba, pare agora mesmo. — Implorei à deusa por efeito; nunca precisei exercer meu poder de dominação dessa forma antes.

Ela parou, olhando-me, seu corpo ficou imóvel.

— O que está fazendo? Sua humana é muito jovem.

Meu tom era baixo e duro.

— Meu companheiro esteve com outra. Sinto como se uma faca me queimasse por dentro.

Olhei para a loba, entendendo sua aflição.

— Você sentiu seu parceiro cedo demais. Sua humana não está pronta nem para se transformar, nem para o cio. O macho de quem você fala é antigo e experiente. Está errado.

— Mas ele sabe que é nosso. Deveria ter se guardado para nós. — A voz da loba saiu frustrada.

— Provavelmente ele terá outras fêmeas até que sua humana amadureça. — Falei a verdade, embora estivesse triste por ela.

— Você é minha Luna. Sua obrigação é me proteger, provar seu poder e desfazer o vínculo. — A loba exigiu. Senti como se um soco tivesse atingido meu estômago.

— Só farei isso quando você atingir a maioridade, se Lucila assim desejar. Mas posso mandá-la para longe, para que nunca sinta isso de novo até então. Depois ela volta, e decidiremos. — Eu já havia combinado de enviar Lucila para o Norte para estudar.

— Eu não quero. Ele saberá onde estou. Quero ir a um lugar onde não consiga me achar.— Pensei por um instante.—Quero que sofra como eu.

Ela estava ferida e determinada.

— Isso eu posso fazer, loba, mas cuide de permanecer no seu lugar até que sua humana amadureça.

Ela balançou a cabeça levemente.

— Sim, Luna.

A loba de Lucila se acalmou. Banhei Lucila e a deitei em minha cama.

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