Eliz
Sentei-me à beira da cama, observando o quarto decorado enquanto esperava o coração se acalmar. O cheiro enjoativamente doce de Kaia chegou antes mesmo de alguém bater à porta.
— Eliz, o Adam quer que você arrume toda a cozinha.
Como assim? Ele realmente achava que me humilharia mandando-me para os serviços domésticos — ou queria apenas me lembrar do meu lugar na casa?
— Achei que dividiríamos o leito, mas pelo jeito nem pra isso você serve.— Kaia continua jogando seu veneno.
— Estou indo —respondi
Retirei o vestido — tão delicado para tarefas pesadas — e respirei fundo. Enviar-me à cozinha na primeira noite não era agradável, mas, pelo menos, ele decidira esperar o meu tempo. E não senti o cheiro dele em Kaia; isso era algo que Nara parecia notar mais do que eu.
A pilha de pratos era enorme. Duas ômegas já cuidavam da limpeza quando cheguei; para uma mulher mimada aquilo poderia assustar, mas eu já fizera esse serviço outras vezes, passando-me por ômega para resgatar fêmeas quando necessário.
— Vim ajudar vocês na cozinha — anunciei.
Elas se entreolharam, como se eu fosse crescer chifres.
— Talvez aqui não seja o melhor lugar para uma Luna suprema, senhora — começou a mais velha, balançando as mãos com cautela.
— Não se preocupem. Prometo não atrapalhar — sorri de canto, só para desanuviar. Não precisava insistir no óbvio: minha lua de mel fora um fiasco.
— Só peço que sejam discretas... sobre hoje.
— Entendemos, senhora. Eu sou Vera, e esta é a Lúcia, minha prima — disse a mais velha, delicada na fala, característico das ômegas, mas com determinação nos olhos.
— Venha comigo — disse ele.
Larguei o caldeirão, enxaguei as mãos e tirei o avental que Vera me pusera. Segui-o, desconfiada.
A piscina interna era aquecida e de bom tamanho. Gostaria de me atirar na água e nadar até cansar, mas deixaria isso para quando estivesse sozinha.
— Supremo — chamei, em voz formal.
Ele estreitou os olhos e começou a tirar a camisa. Não pude deixar de notar os músculos do seu abdômen até aquele "V" abaixo da linha da cintura, seus braços fortes me faziam imaginar como seria seria aqueles braços na minha cintura, o braço direito coberto por tatuagens tribais, o cabelo negro sobre os ombros e o maxilar cortante. E aquele olhar firme que me dirigia. Ele tirou a calça e a cueca box , dando-me uma visão que me obrigou a controlar a respiração — e então mergulhou na água, cortando a superfície com calma.
Minha boca secou; forcei-me a não deixar que meu corpo entregasse o turbilhão que queimava por dentro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...