Eliz
Sentei-me à beira da cama, observando o quarto decorado enquanto esperava o coração se acalmar. O cheiro enjoativamente doce de Kaia chegou antes mesmo de alguém bater à porta.
— Eliz, o Adam quer que você arrume toda a cozinha.
Como assim? Ele realmente achava que me humilharia mandando-me para os serviços domésticos — ou queria apenas me lembrar do meu lugar na casa?
— Achei que dividiríamos o leito, mas pelo jeito nem pra isso você serve.— Kaia continua jogando seu veneno.
— Estou indo —respondi
Retirei o vestido — tão delicado para tarefas pesadas — e respirei fundo. Enviar-me à cozinha na primeira noite não era agradável, mas, pelo menos, ele decidira esperar o meu tempo. E não senti o cheiro dele em Kaia; isso era algo que Nara parecia notar mais do que eu.
A pilha de pratos era enorme. Duas ômegas já cuidavam da limpeza quando cheguei; para uma mulher mimada aquilo poderia assustar, mas eu já fizera esse serviço outras vezes, passando-me por ômega para resgatar fêmeas quando necessário.
— Vim ajudar vocês na cozinha — anunciei.
Elas se entreolharam, como se eu fosse crescer chifres.
— Talvez aqui não seja o melhor lugar para uma Luna suprema, senhora — começou a mais velha, balançando as mãos com cautela.
— Não se preocupem. Prometo não atrapalhar — sorri de canto, só para desanuviar. Não precisava insistir no óbvio: minha lua de mel fora um fiasco.
— Só peço que sejam discretas... sobre hoje.
— Entendemos, senhora. Eu sou Vera, e esta é a Lúcia, minha prima — disse a mais velha, delicada na fala, característico das ômegas, mas com determinação nos olhos.


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