Aquiles
Eu tinha ficado tão grato, quando minha mãe me disse que bastava apenas ficar colado em Liliane para que ela se renergisasse que me deixei convencer.
Sentado no sofá, fico de olho no ponteiro do relógio, que parece ter parado. Se Liliane não estivesse tão emotiva por causa da gravidez, eu nunca teria deixado minha sogra me empurrar para esse encontro familiar fadado ao desastre.
O cara que eu jurava nunca mais ver agora é meu cunhado, marido de Lia, e os dois parecem tão constrangidos quanto nós, do outro sofá.
— Lia, poderíamos conversar a sós? — Liliane pediu à irmã.
Seus olhares se cruzaram. Nenhuma palavra foi dita. Ficaram presas naquele silêncio, cada uma esperando a reação da outra.
— Se seu alfa prometer não tentar estrangular o Alaric de novo… — Lia disse, olhando para algum ponto do lado oposto no teto, como se eu não estivesse ali.
— Pode ficar tranquila, Lia. Não vai acontecer — falei, tentando ser o mais educado possível. Afinal, ela é irmã da minha companheira, grávida de três filhotes.
As duas subiram, e agora o clima ficou ainda pior. Meu lobo enviava imagens mentais de Alaric sem cabeça.
— Ei! Dá pra tirar esse sorrisinho psicopata do canto dos lábios? Você que roubou minha noiva — Alaric falou sem vontade, cruzando os braços.
— Eu devia ter arrancado sua cabeça quando tive a chance — murmurei, baixo o suficiente para que nenhuma das fêmeas escutasse.
— Assim você não precisaria olhar para o macho que agarrou o que é seu?
A provocação em seus olhos não me passou despercebida.
— Vai para o inferno, Alaric.
— E você, por que não desaparece para o seu território e deixa nossas fêmeas em paz?- Estreitei os olhos, como eu queria arrancar aquela língua do desaforado para aprender a me respeitar. Ficamos em silêncio por um tempo até que ouvimos elas descendo
As duas desciam as escadas emocionadas e sorrindo. Eu me levantei num salto, segurei Alaric pelo braço e joguei meu braço sobre seus ombros, sorrindo feito um idiota feliz.
Ele me olhou, estreitando os olhos, como se pensasse em me estrangular ali mesmo, mas entrou no jogo rapidamente.
— Vocês se acertaram também? — Lia perguntou, franzindo a testa e inclinando a cabeça, desconfiada.
— Oh! Aquiles, isso é maravilhoso! — Liliane começou a fungar novamente.
Soltei o desgraçado do Alaric e fui segurar minha Liliane.
— Viu? Já está tudo certo, não é, Alaric?
— Claro! Agora tenho a Lia, e combinamos em tudo.
Ele a abraçou e a beijou na nossa frente.
Tomara que ele se apaixone perdidamente por Lia. Se a deusa Selene gostar um pouquinho de mim, vai fazê-los destinados um ao outro.
***Felipe
— Eu não me lembro de ter feito contrato algum com você — Lisandro argumentou.
— Eu disse que é assim — falei, decidido.
— Você não pode me ameaçar. Vou ligar para Artemísia.
Ele levou a mão ao aparelho.
— Toque nisso e verá do que sou capaz.
Estreitei os olhos, meu lobo já pedindo passagem sob minha pele.
— Levante-se e me siga.
Levei o infeliz para dar uma volta à beira do rio, onde as ômegas estavam jogando e fazendo piquenique com os alfas. Elas corriam e brincavam alegres.
— Você já tem todas as garantias possíveis. Vai permitir trazer os machos de Garras de Gelo ordenadamente, como Artemísia sugeriu, ou prefere que eu os traga do meu jeito?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...