Liliane
— Liliane... — ouvi de longe.
— Liliane... — agora mais perto. Que chato.
— Liliane! — o rosnado alto e claro na minha cabeça quase me fez pular. Só então me dei conta de que o som vinha de dentro de mim. Minha loba estava impaciente para ver os filhotes.
Abri os olhos com esforço. Pela deusa… parecia que um caminhão tinha passado por mim na ida e na volta.
Minha garganta queimava como se eu tivesse engolido pedras, e respirar não era nada fácil.
— Oi, garota dourada. Como se sente? — Jamile falou com sua voz animada.
— Meus filhotes?
— Todos bem e saudáveis, aguardando você melhorar para conhecê-los. Aquiles esteve aqui quando você acordou, mas pedi que ele saísse.
Assenti levemente com a cabeça.
Me deitei novamente, olhando para o teto.
— Você teve uma parada cardiorrespiratória e foi entubada. É normal ficar um tempo fora de órbita — ela explicou, enquanto sacava o celular do bolso. — Deixa eu te mostrar os primeiros momentos dos filhotes.
Virei de lado, ansiosa.
Ela começou a passar as imagens. Aquiles cuidando dos pequenos, toda a família ao redor das minhas meninas, Adam e Eliz trocando fraldas, a fada Ania segurando uma das filhotes, encantada.
Lágrimas de felicidade escorreram sem que eu percebesse.
— Obrigada... — tentei falar, mas minha voz saiu fraca e arranhada. Olhei para ela.
— É normal. Logo sua loba vai te deixar novinha em folha. Assim que as filhotinhas saíram da sua barriga, ela começou a te curar. Estou completamente maravilhada com o poder de cura de uma ômega dourada — Jamile falou, empolgada, como uma criança diante de um tesouro. — É incrível.
Por algum motivo, eu não me sentia nada especial naquele momento.
— Quero vê-los, por favor...
— Ainda está fraca. Posso dar um jeito para você vê-los como visitante, e depois os levo de volta para que seu companheiro continue cuidando deles. Combinado?
— Tá bom — falei a contragosto, mas eu realmente não sabia se conseguiria cuidar deles agora.
Jamile saiu e fechei os olhos novamente.
Alguns minutos depois, Aquiles entrou com uma faixa ao redor do corpo, carregando nossos filhotes colados a ele. Jamile trouxe uma cadeira e a colocou ao meu lado, onde ele se sentou com cuidado.
— Você ficou lindo de canguru, companheiro — falei fraco.
Aquiles deu aquele sorriso de canto, lindo como sempre.
— Ragnar também é tão lindo quanto você.
— Você ainda não me viu na troca de fraldas.
Toquei a cabecinha das filhotes, encantada. Todas dormiam aconchegadas ao pai.
— Elas estão esperando para receber os nomes... — Aquiles disse, e eu vi seus olhos marejados.
Respirei fundo.
— A primeira a nascer será Athena: mente e estratégia. A do meio será Freia: emoção e poder, para combinar com a tia. E a nossa pequena guerreira será Agatha. Se você não gostar, podemos trocar...
Ele não me deixou terminar.
— São todos lindos, como nossas princesas.
Ele se inclinou para frente e eu também, saindo um pouco da maca, para lhe dar um beijo.
— Vamos, Aquiles. Chega de emoções para nossa garota dourada por hoje.
Eu ia protestar, mas ele já se levantava, levando os bebês consigo.
— Nos vemos mais tarde, companheira.
***Aquiles
Coloco os filhotes em suas caminhas, cada um ao lado de Vanessa.
— Como ela está? — Temi foi a primeira a perguntar.
— Visivelmente melhor. Daqui a pouco se juntará aos filhotes aqui. — Olho ao redor, achando o quarto estranhamente vazio. — Onde foram parar os machos?
— Alguns renegados perceberam que a quantidade de machos diminuiu na fronteira — ela explica, dando de ombros.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...