Artemísia
No meu celular, sigo analisando alguns arquivos acessados remotamente.
Não há registro de ataques em Garras de Gelo há mais de meio século.
Não faz sentido pensarem que temos tão poucos machos a ponto de não conseguirmos defender nossa própria fronteira.
Lembro das últimas reuniões do conselho.
O tópico sempre surgia… com discrição.
Como um lembrete.
Um aviso.
Um filho.
Desde quando um renegado sai à procura de um alvo específico?
Um arrepio sobe pela minha coluna.
Na minha mente, tudo parecia simples.
Um dos filhos de Aquiles assumiria em meu lugar.
Então… o que deu errado?
Por que se voltaram contra mim dessa forma?
Os machos entram no quarto com expressões fechadas.
— Conseguiram pegar os renegados? — Vanessa pergunta, aflita.
Meu olhar percorre cada um deles.
Maxilares travados.
Músculos tensos.
Silêncio demais.
Estão quietos… mais do que o habitual.
Deveriam estar comemorando, como sempre fazem após uma batalha.
Mas não estão.
Isso é diferente.
E, pelo jeito… eles já sabem.
— Claro que pegamos. Duvidou de nós, humana? — Atenor quebra o silêncio, em tom de piada, enquanto se aproxima de Ania.
Gustavo baixa a cabeça.
Felipe não olha nos meus olhos.
Algo dentro de mim ameaça se partir.
Porque, se meu irmão não fosse esse macho que me quer bem — escondido sob essa armadura rígida — a essa altura já estaríamos em guerra. Nenhum lobo aceita ameaças contra suas crias.
Sinto, com clareza, que poderia destruir todos eles.
Mas, antes…
Preciso falar com Aquiles.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...