Felipe
Dois dias depois.
O lobo ensanguentado gritava os nomes de cada ancião que havia encomendado a morte dos filhotes de Aquiles.
Eu, pessoalmente, me encarregaria deles.
Artemísia me aguardava na reunião com o conselho.
Peguei o lobo retalhado e o joguei sobre o ombro. Os guerreiros vieram logo atrás, me acompanhando em silêncio.
***Artemísia
— Lembram que havíamos selecionado fêmeas para integrar o conselho? — anunciei. — Pois bem… elas se sentarão hoje.
A surpresa deles foi quase cômica.
Cadeiras sendo adicionadas. Olhares descrentes.
Na mente deles, nenhuma loba aceitaria aquele cargo.
Esperei, em silêncio, até que todas se acomodassem.
Então avancei.
— Chegou aos meus ouvidos algo… absurdo. Alguns de vocês encomendaram o assassinato dos meus sobrinhos.
O choque estampado nos rostos seria convincente… se eu não soubesse a verdade.
— Luna, quem faria tal coisa? — perguntou o mesmo lobo que ajudou a chicotear Felipe no dia em que cheguei a Garras de Gelo.
Cínico.
— Eu tenho provas. Um dos mercenários foi capturado.
Eles se entreolharam.
A preocupação finalmente apareceu.
Eles sabiam: eu não mentia.
— Luna… veja bem… — começou um deles — a decisão foi tomada para manter sua liderança em segurança.
Estalei a língua, inclinando levemente o rosto.
— Então vocês matariam meus sobrinhos… para me proteger? — pausei. — Não pensaram em me perguntar?
— Sabemos que é uma decisão difícil para uma fêmea — outro continuou — então fizemos parecer um ataque de renegados… para poupá-la.
Meu olhar esfriou.
— Pensamos no melhor para a alcateia — ele finalizou, abaixando a cabeça. — E aceitamos sua punição.
Mais quatro se levantaram, em silêncio, com as cabeças baixas.
Observei todos.
Cansada.
— Que bom saber que estão dispostos a aceitar suas punições — falei com calma. — Observem bem.
Apontei para eles.
— Mexer com a minha família não é uma opção. Nunca foi. Nunca será.
Levantei-me devagar, pegando a pasta de documentos à minha frente.
— Luna… obrigado por nos perdoar — disse um deles, já aliviado.
Sorri de leve.
— Oh, não… não é disso que se trata.
Dei um passo à frente.
— Eu sou apenas uma garota charmosa… aparentemente incapaz de tomar certas decisões difíceis.
Inclinei a cabeça.
— Mas a deusa me presenteou com um companheiro… que não sofre desse problema.
O pânico foi imediato.
Três deles se ajoelharam na mesma hora.
— Luna, por favor! Aceitamos qualquer castigo!
— Tenha misericórdia!
Ignorei.
Virei-me para sair.
A porta se abriu no mesmo instante.
Felipe entrou.
O corpo de um lobo retalhado arrastava sangue pelo chão. Ele o lançou sobre a mesa como um açougueiro descartando carne.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...