Eliz
— Você é minha. — ele rosna. — Qualquer um que ousar tocar no que é meu morre, Eliz. Fui claro?
Ele tentava impor sua aura dominante, mas não funcionava. Ainda não havia vínculo entre nós — nem com ele, nem com sua matilha. O que tínhamos era apenas papel, um documento frio, nada além.
— Sim, Supremo. — coloquei minha máscara de Luna, aquela que minha mãe e a dele me ensinaram a usar. A máscara que oculta emoções, que me transforma na boneca perfeita para qualquer macho. Endireitei a coluna, ereta, impecável: a Luna que todos esperam ver.
— Eliz… não faça isso. Não torne as coisas mais difíceis do que já são para nós.
— Nós? — arqueei a sobrancelha.
Ele me olhou como se pesasse cada letra da pergunta, depois me puxou pelos braços. Seu beijo foi tão rápido e intenso que me deixou sem reação. Eu não o retribuí — apenas aceitei o que ele quis me dar. Suas mãos deslizaram pelo meu corpo com maestria, seu toque queimava sob minha pele, arrepiando cada fibra minha. O Supremo me soltou devagar, exibindo um sorriso convencido no canto dos lábios.
— Isso. Você vai me ter. — típico. Convencido como sempre.
— Não, Adam. — sustentei seu olhar. — Eu terei pedaços de você, enquanto você me quer inteira. Acha mesmo que não posso encontrar outro lobo à sua altura?
Fiz questão de deixá-lo lembrar de Amiel. Claro que ele não sabia que Amiel era companheiro da minha amiga Lívia. Já que o Supremo pretendia ficar com Kaia, eu não iria me revelar como sua companheira.
— Dormiu com ele? — sua voz saiu carregada de veneno.
— Você jamais saberá. — sorri fria. — Porque não me terá se continuar com essa ideia ridícula de manter Kaia.
Ele respirou fundo, quase rosnando.
— Amanhã sairemos da casa da matilha. Iremos para a minha residência. — fez uma pausa, medindo minha reação. — Há uma loba especial para você cuidar.
— Quem? — estreitei os olhos.
— Uma Luna por natureza… tão rara. Essa velha teve sorte hoje. — murmurou. — Não se vê uma Luna de nascimento há mais de duzentos anos.
Ela mergulhou a mão na água, depois a própria cabeça, e voltou com uma pedra de ônix negra igualzinha a do meu colar. Meu corpo congelou.
— Por que a Luna deseja punir seu povo com sua ausência? — perguntou.
Então compreendi: aquela velhinha era o Oráculo. Eu já ouvira falar dela, mas nunca a vira.
— Eu não quero punir ninguém. — minha voz saiu firme. — Apenas me proteger. O Supremo é frio como pedra. Acha que me dará joias e uma casa e que isso será suficiente para me realizar.
— E o que minha Luna anseia, então? — ela saiu da água e eu a acompanhei. — Talvez… amor?
— Isso também. — admiti. — Mas me diga: por que devo me dedicar a ser uma Luna, de um alfa que não me ama, quando posso me dedicar e ser a Alfa da matilha do Sul ?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...