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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 37

Liliane

Passei o dia inteiro na expectativa de estar ao lado dele novamente.

— Ai, ai, ai, Liliane… precisa se colocar no seu lugar. Passarinho que acompanha morcego acaba dormindo de cabeça para baixo — me recriminei mentalmente.

Deixei os alunos da tarde e fui guardar meu material na sala das professoras.

— Liliane!

— O quê?!

— É a terceira vez que te chamo. Você está bem?

— Ela deve estar com saudade de casa, pobrezinha — comentou outra. — Se quiser, tenho alguns horários livres na semana que vem. Pode visitar sua família.

Por ser a mais nova, sou um tio de mascote no grupo.

— Obrigada, mesmo. Mas estou bem. Só um pouco ansiosa com a proximidade do meu aniversário, só isso.

— Ah! Logo você terá sua melhor amiga: sua loba — disse uma delas, encantada.

Revirei os olhos por dentro.

— Não caia nessa, não. A minha é uma inimiga dividindo o mesmo corpo. Que só quer coisas que considero inadequadas e que nunca planejei.

Dessa vez eu ri.

Ela queria muito ser companheira de um lobo de alta patente, mas sua loba havia vindo ligada a um guerreiro comum.

— Então vou começar a levar flores ao altar de Selene todos os dias, pedindo uma loba boa tranquila — falei, me despedindo.

Cheguei em casa, joguei a bolsa no sofá, lavei as mãos e fui direto ao armário pegar os ingredientes para um bolo.

Minha família tem uma receita secreta de bolo de chocolate que simplesmente desmancha na boca. Minha mãe fazia todos os fins de semana. Tem gosto de aconchego, de lar. Quando Aquiles confessou que sua mãe não cozinhava, senti um aperto no peito por ele não ter esse tipo de lembrança.

Costumo rechear com brigadeiro, mas o dele faria diferente: chocolate belga, que deixei preparado pela manhã.

— Isso! Consegui! — pulei, empolgada com o resultado.

Agora era só me arrumar. Dessa vez, ele não me pegaria desprevenida.

Esperei com o bolo nas mãos, ansiosa.

Quando Aquiles chegou, me lançou um meio sorriso cínico. Entreguei o bolo; minha mão tocou na dele por acidente, e puxei rápido, surpresa. Ele se afastou alguns passos comendo, e eu não consegui desviar o olhar das costas largas, dos músculos bem definidos sob a camisa.

Meus olhos vagaram até seus lábios. Algo dentro de mim vibrou quando ele elogiou o bolo.

A caminhada começou lenta. Na verdade, acho que nenhum de nós dois estava interessado no exercício em si.

Nunca gostei de correr ou lutar. Depois que saí do treinamento escolar, nunca mais pisei em campo. Para isso existem os Alfas, não é?

Quando chegamos ao ponto em que o lobo dele sentiu o cheiro da minha excitação, lembrei do quanto ele havia dito que gostava do meu cheiro.

— Quer dar uma corrida na floresta? — ele perguntou suavemente.

Qualquer fêmea com um pingo de juízo recusaria.

Que pena que não é o meu caso.

Me vi subindo, passando devagar a perna sobre o lobo enorme. Tentei manter o mínimo de decoro, mas Aquiles não permitiu. Ele começou a correr, me obrigando a passar os braços ao redor do corpo dele para não cair.

Quando ele pulou, minha intimidade chocou-se contra suas costas. E, mesmo plenamente consciente do meu corpo colado ao dele, resolveu saltar cada obstáculo com um impulso impecável.

Alfas.

Ele não poderia simplesmente dar a volta?

Bônus 37 Luar e desejo 1

Bônus 37 Luar e desejo 2

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