Eliz
Era importante que alguém de confiança fizesse minhas entregas.
Por isso fui atrás do Kane — ele trabalhara de motorista para o Adam e fora banido. Assim, eu teria alguém confiável e repararia o estrago que o Adam causara.
Toquei a campainha. Kane abriu a porta com um sorriso caloroso que eu não via desde os tempos de escola.
— A que devo a honra, Luna? — ele perguntou, me convidando a entrar e me envolvendo num abraço de urso, o mesmo que sempre me dava.
— Preciso de alguém de confiança para umas entregas. — Falei direto. — Pensei em você.
— Está traficando erva da lua agora, Eliz? — ele riu, arqueando a sobrancelha.
Kane se acomodou no sofá, pernas abertas, numa postura relaxada que oferecia visão de todo o corpo — e de um volume nas calças que, por algum motivo, me chamou mais atenção do que devia.
— É uma carga de ervas raríssimas. O valor é alto. As maiores compradoras são bruxas, e estou tendo dificuldade com a entrega.
Os olhos do Kane escureceram quando perceberam meu interesse prático.
— Eu levo. — Ele respondeu, voz rouca e firme. Levantou-se e pegou uma cerveja na geladeira — como se ainda conhecesse meus gostos.
Agradeci. — Pode me dar seu número? Assim que a carga estiver pronta eu entro em contato. — Levantei-me e fui até a porta
Ele chegou até mim com a velocidade do lobo e me beijou. O beijo foi delicioso: mãos explorando meu corpo com memória antiga. Suspirei, pronta para deixar a calma de lado, até que senti Nara rosnar na minha cabeça.
Levei um pulo de susto e afastei-me devagar. Kane ficou pensativo por um segundo, segurando aquele instante.
— Da próxima vez, liga, Luna. — Ele afastou um cacho do meu cabelo. — Não quero morrer jovem. Você voltou muito tentadora.
— Você também cresceu um pouco desde então. — respondi, sem fôlego.
Sorri por dentro e segui para a mansão.
O sol já se punha. Demorei mais do que devia — estou mal acostumada com a Ania me transportando, e já tinha abusado da paciência da minha amiga.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.