Liliane
Saí do trabalho no final da tarde e passei em frente a uma pequena loja de roupas femininas no centro da Alcatéia.
Eu queria uma roupa nova para o meu encontro… encontro? Para, Liliane.
Era apenas uma social com um amigo… que beija… Enfim.
Entrei na loja e comecei a passar os cabides, tentando me distrair.
— No que posso te ajudar?
A vendedora se aproximou, simpática. Me ajudou a escolher algumas peças, e logo eu estava levando cinco opções para o provador, empolgada com os elogios que ela fazia.
Enquanto eu me trocava, ouvi a vendedora e outras mulheres se reunirem perto do balcão. O assunto era o mesmo de sempre: o demônio do gelo.
Comentavam como ele havia chicoteado TODOS os anciãos de Garras de Gelo. O único poupado de sua ira fora o próprio avô; mesmo assim, tinha ouvido alguns desaforos do neto.
Segurei o vestido que havia escolhido. O tecido era leve, suave, com pequenas flores em rosa-claro. Apertei-o contra o peito, sentindo um aperto estranho no coração.
Será mesmo que o macho que me trata com tanto respeito e carinho é esse demônio de quem todos falam?
Saí do provador cabisbaixa.
— O que houve? Não gostou de nenhum? Podemos olhar outros.
— Vou ficar com esse — disse, entregando o vestido a ela.
A vendedora sorriu e fez um lindo embrulho.
— Obrigada.
Em casa, me arrumei e fiquei aguardando. Aquiles, que costumava chegar adiantado, já estava quinze minutos atrasado. Abri a porta pela terceira vez, conferindo a rua vazia.
— É, Liliane… parece que o interesse dele é só sair sozinho e dar uns amassos. Como todos os machos não acasalados. Só se aliviar.
Minha mãe havia me avisado sobre esse tipo.
Fui até a geladeira, peguei um pote de sorvete e acrescentei bolinhas de chocolate, morangos cortados, leite em pó, farinha de amendoim, marshmallows em formato de coração e algumas jujubas. Adoro jujubas.
Me sentei no banco de madeira do terraço e comecei a devorar minha criação gastronômica maravilhosa, observando o céu límpido, de um azul profundo, salpicado de estrelas.
Nem sei por que me empolguei.
Um Alfa… e nem um Alfa menor. Onde eu estava com a cabeça?
Enchi a boca com uma colherada generosa.
A sensação incômoda de rejeição estava ali. Ignorei.
Não vou ficar triste por um lobo que conheci há pouquíssimo tempo. Me recuso.
Outra colherada. Saboreei lentamente a sobremesa.
De repente, uma sombra passou por cima da casa, despertando todos os meus sentidos de alerta. Dei um pulo do banco, com a colher ainda na boca, completamente imóvel.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.