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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 51

Eliz

A raiva que emanava do meu corpo era tão intensa que, ao entrar na matilha do Sul, cada lobo e loba baixava o olhar em submissão, expondo o pescoço.

Um filhote se escondeu atrás da mãe, assustado. As palavras de Kaia ainda ecoavam em minha mente — eu seria a responsável por administrar os dias em que outras três fêmeas se deitariam com Adam.

Curvei as garras no chão e lambi a bochecha do pequeno. No abrigo das fêmeas, aprendi a lidar com os mais novos, e ele riu, esquecendo o medo.

Quem me dera meus problemas se resolvessem tão fácil...

Meu pai me observava sem entender nada, coçando a nuca. Minha mãe, por sua vez, já deixava escorrer uma lágrima silenciosa, pressentindo que algo não ia bem. Passei por eles em forma de loba e subi para meu antigo quarto.

Deitei-me, tentando calcular a dor que vinha dele. Eu conseguia sentir tristeza genuína em meu peito. Como isso era possível? Seria o vínculo? Ele sentiria o mesmo pelas outras?

Minha mãe bateu na porta, e voltei à forma humana.

— Pode entrar. — murmurei.

Seu olhar era preocupado.

— Filha, quer conversar?

— Estou bem, mãe.

Ela sentou ao meu lado e deu duas palmadinhas nas minhas costas, como fazia desde criança.

— E se tiver um filhotinho? O cheiro dele está forte em você.

— Tomei uma poção contraceptiva. — descartei de imediato.

— Certo... — suspirou.

— Adam estava preparando uma casa para colocar três fêmeas. — enfatizei o “três”, para que não houvesse defesa possível a favor dele.

— Por Selene! — ela levou a mão à boca, perplexa.

Mesmo uma escolhida tinha direito a um período de exclusividade, onde a primeira esposa era respeitada e apresentada ao clã. Eu fui humilhada de todas as formas. Ao meu redor, quem não sente pena, com certeza está se divertindo às minhas custas.

**Adam

Cheguei em casa ainda sem acreditar naquela fêmea.

— Supremo, estou indo até a casa da matilha comer algo. E seria interessante que você viesse junto.

— Você viu alguma coisa lá? — perguntei, ansioso.

Ela bateu com o cajado no chão e resmungou:

— Machos e suas cabeças ocas... me ajude a levantar!

Segurei-a pela mão e pela cintura, ajudando-a a se pôr de pé.

— Se tiver alguma fofoca quente circulando, vai estar na cozinha. Isso se você não assustar as ômegas com essa cara de cachorro mal-humorado.

Fechei a expressão.

— Continue assim, e ninguém vai te contar nada. — ela resmungava enquanto caminhava.

Essa velha... às vezes esquece que cresci e ainda me trata como se eu tivesse dez anos.

E lá fui eu atrás dela, ouvindo bronca como um aprendiz desajeitado.

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