Eliz
A raiva que emanava do meu corpo era tão intensa que, ao entrar na matilha do Sul, cada lobo e loba baixava o olhar em submissão, expondo o pescoço.
Um filhote se escondeu atrás da mãe, assustado. As palavras de Kaia ainda ecoavam em minha mente — eu seria a responsável por administrar os dias em que outras três fêmeas se deitariam com Adam.
Curvei as garras no chão e lambi a bochecha do pequeno. No abrigo das fêmeas, aprendi a lidar com os mais novos, e ele riu, esquecendo o medo.
Quem me dera meus problemas se resolvessem tão fácil...
Meu pai me observava sem entender nada, coçando a nuca. Minha mãe, por sua vez, já deixava escorrer uma lágrima silenciosa, pressentindo que algo não ia bem. Passei por eles em forma de loba e subi para meu antigo quarto.
Deitei-me, tentando calcular a dor que vinha dele. Eu conseguia sentir tristeza genuína em meu peito. Como isso era possível? Seria o vínculo? Ele sentiria o mesmo pelas outras?
Minha mãe bateu na porta, e voltei à forma humana.
— Pode entrar. — murmurei.
Seu olhar era preocupado.
— Filha, quer conversar?
— Estou bem, mãe.
Ela sentou ao meu lado e deu duas palmadinhas nas minhas costas, como fazia desde criança.
— E se tiver um filhotinho? O cheiro dele está forte em você.
— Tomei uma poção contraceptiva. — descartei de imediato.
— Certo... — suspirou.
— Adam estava preparando uma casa para colocar três fêmeas. — enfatizei o “três”, para que não houvesse defesa possível a favor dele.
— Por Selene! — ela levou a mão à boca, perplexa.
Mesmo uma escolhida tinha direito a um período de exclusividade, onde a primeira esposa era respeitada e apresentada ao clã. Eu fui humilhada de todas as formas. Ao meu redor, quem não sente pena, com certeza está se divertindo às minhas custas.
**Adam
Cheguei em casa ainda sem acreditar naquela fêmea.
— Supremo, estou indo até a casa da matilha comer algo. E seria interessante que você viesse junto.
— Você viu alguma coisa lá? — perguntei, ansioso.
Ela bateu com o cajado no chão e resmungou:
— Machos e suas cabeças ocas... me ajude a levantar!
Segurei-a pela mão e pela cintura, ajudando-a a se pôr de pé.
— Se tiver alguma fofoca quente circulando, vai estar na cozinha. Isso se você não assustar as ômegas com essa cara de cachorro mal-humorado.
Fechei a expressão.
— Continue assim, e ninguém vai te contar nada. — ela resmungava enquanto caminhava.
Essa velha... às vezes esquece que cresci e ainda me trata como se eu tivesse dez anos.
E lá fui eu atrás dela, ouvindo bronca como um aprendiz desajeitado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...