Eliz
Depois de um dia cansativo, peguei algumas garrafas de cerveja e me enfiei pela floresta. Fui atrás da árvore que me escondia quando era pequena — meu forte, um velho angelim-vermelho. Sentei-me entre suas raízes e me permiti o luxo de ouvir apenas o barulho da mata.
Cheguei à conclusão de que estou sofrendo de síndrome de Estocolmo — quando o sequestrado passa a gostar do sequestrador. Meu corpo sente falta de Adam, e meus pensamentos vão e voltam para ele.
Embora Nara tenha cumprido o prometido, não toca mais no assunto de companheiro. Nem ironias solta. Simplesmente não fala comigo.
Virei outra garrafa no gargalo, descartei e abri mais uma.
— Oi… — Kane apareceu meio sem jeito. Encostou-se a um galho de uma árvore próxima, braço erguido, outra mão enfiada no bolso. Seu abdômen esculpido já não me chamava atenção.
— Como vai, Kane? — acho que é a primeira vez que o vejo sério, sem aquele ar de lobo mal que sempre parecia prestes a devorar a Chapeuzinho.
— Vim me desculpar, Luna. — vergonha e dor estampavam seu rosto. — Eu sou culpado do que aconteceu.
— Do quê? Da marca?
— Sim…
— Eu tenho uma cerimônia marcada. Daqui a dois dias estaria marcada de qualquer forma. Sua morte não me traria felicidade.
Eu até tentaria sorrir, mas Kane me conhece demais para cair num falso sorriso.
— Você ouviu sobre o harém...— ele encolheu um pouco, seu rosto trazendo um sentimento de pena que eu detesto— Como estão os comentários? — mudei de assunto. Lobos são muito melhores que humanos quando o tema é espalhar notícias.
— Acho que você deveria dar um show na sua apresentação. Já que te colocaram bem no meio do palco.

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