Eliz
Minha preocupação com minha estufa de ervas raras me atingiu como um raio. Sem pensar, iniciei a transformação. Os machos já haviam mudado de forma e corriam em direção à invasão.
Disparei rumo às estufas. As fêmeas, firmes, haviam se posicionado como sentinelas ao redor delas. Soltei um uivo forte, e elas me responderam com orgulho.
Logo os machos voltaram, focinhos ensanguentados, restos de renegados espalhados pelo chão. No meio deles, um lobo cinzento chamava atenção: Kane.
Mesmo em forma de lobo, vi a faísca de raiva nos olhos de Adam. Mas Kane era responsável pelas compras, sempre útil e respeitoso. Adam se transformou em humano. O cenário de corpos dilacerados me embrulhou o estômago. Talvez tenha juntado com a tensão do café da manhã.
— As fêmeas da sua matilha viraram guerreiras? — Cedric perguntou a meu pai, curioso. Ainda bem que as ervas não despertaram a atenção dele.
— Só as que escolheram ser. — meu pai deu de ombros.
Enquanto caminhávamos de volta à frente da casa, o olhar de Adam escurecia a cada passo.
— Estamos indo, Cedric — disse ele, sem sequer me consultar.
— Eu não saio mais da matilha do Sul... — nem terminei a frase, já estava sendo puxada pelo braço, arrastada como se fosse um objeto. — Eu não quero ir! Me larga, pai! Cedric, por favor!
Ao redor os lobos guerreiros ficaram visivelmente constrangidos.
Minha mãe e Kane observavam, atônitos. Cedric e Godric preferiram se calar, fingindo não ouvir.
Foi então que Sinara, mãe de Adam, interveio.
— Adam, não é assim que se trata uma companheira.
— Fica fora disso, mãe! — ele rosnou, continuando a me arrastar como uma boneca de trapos.
— Deixe-me conversar com ela, Adam. — Sua voz firme, de autoridade materna, finalmente o deteve. Ele me soltou.
Seria por causa dele que Eliz fugiu para cá, em vez de desaparecer como da última vez? A raiva cresceu em meu peito. Segurei a mandíbula de um renegado e a arranquei com violência, sem desviar o olhar de Kane. Ele engoliu seco. Que entendesse bem com quem estava mexendo.
Eu até pensei em deixá-la descansar aqui e voltar à noite. Mas não havia chance de permitir que passasse o dia solta perto de Kane.
Não me importava com a expressão assassina dela no carro. Eliz era minha. E, para completar, percebi as fêmeas treinadas e as ervas crescendo nas novas estufas. Aposto que foi ideia dela. Eu já sabia que ela planejaria alguma coisa pra se livrar de mim. Só não achei que fosse algo realmente funcional como vi. Porra!
E pensar que, na cama, nunca permiti que nenhuma fêmea me montasse. Se, um dia, me dissessem que eu me submeteria a alguém, teria rido na cara. Mas agora... eu só ansiava por ter um filhote com ela e não era mais por causa do contrato.
Depois de deixá-la em casa, fui ao palácio. Hoje haveria reunião com o rei e alguns aliados. No fim, ele marcou um evento para anunciar que seu Gama e seu Beta partilhavam a mesma companheira. Queria que todos soubessem e respeitassem, como exemplo para os alfas menores.
Eu não via problema. Se a própria deusa da lua uniu nossas almas, quem somos nós para questionar algo tão sagrado quanto o vínculo de companheiros destinados?
Eu consegui obrigar Eliz a voltar, agora preciso dar um jeito de fazer ela querer ficar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...