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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 63

Adam

Levantei-me leve; aliás, não me lembro de ter dormido tão bem. Eliz me viciou no cheiro, no corpo, e o fato de ela me aceitar de bom grado ontem à noite foi a tampa do meu caixão.

Decidi fazer os exames e tirar a dúvida sobre ser infértil. Não quero colocar mais peso nos ombros de Eliz antes de ter certeza de que o nosso problema não sou eu.

A pergunta que eu queria ter feito ontem não era se ela ainda amava aquele Lycano; era... se ela já me ama.

Mas não me senti no direito. Provavelmente ela o deixou obrigada pela minha chantagem. Se eu não puder prover um filhote, serei um macho inútil pra ela, e o contrato que une nossas linhagens estará em risco.

Passei no escritório, abri a gaveta e peguei a caixa do conjunto de joias que ia lhe dar antes da briga. Hoje à noite a levarei para jantar e vou presenteá-la. Coloquei a caixa de volta na gaveta, fechei, organizei o escritório e segui para a consulta.

Eliz

Levantei-me como um raio; a ansiedade me tomava. Fui ao hospital fazer meu exame e, quando peguei o resultado, minhas mãos tremiam levemente.

Resultado: Positivo.

Segurava o papel quando vi, de relance, Adam chegando ao hospital. Lobos quase não ficam doentes; ontem ele parecia tão bem... Será que escondia alguma condição clínica?

Suprimi meu cheiro e o segui a certa distância. Vi-o bater à porta do consultório de uma médica. Quando a porta se abriu, não pude evitar a sensação de estranhamento: difícil imaginar uma loba feia — Porém aquela era muito bonita, madura, de corpo escultural. Duas jovens de uniforme de enfermagem riram na recepção.

Ela percebeu minha urgência e entrou no carro.

— Você está bem? Está um pouco pálida — perguntou, preocupada.

— Vou ficar bem, obrigada — respondi, tentando controlar a voz. — Deixei meu carro mais adiante; pode me deixar na esquina? Vou chamar um carro por aplicativo.

— Não. Vamos tomar um café — disse Ayleen, sorrindo de lado. — E assim ficamos quites pelo dia que me ajudou com Kaia.

Fomos a uma cafeteria temática de gatinhos. A cena era absurda e, por isso, arrancou um riso involuntário de mim. Ayleen é uma figura; conversou com leveza e, aos poucos, aliviei o aperto no peito. Ainda assim, o resultado positivo tremia nas minhas mãos. Positivo. Um novo começo — e uma dúvida amarga ao mesmo tempo: o que Adam realmente fazia lá?

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