Luna Vanessa
Os olhos de Adrian se estreitaram, e um sorriso surgiu no canto dos lábios; desafiador, diferente de tudo que eu já tinha visto nele.
— Então essa é a sua última palavra? — cruzou os braços, inclinando o corpo levemente para frente.
— Não vejo necessidade de ter uma tatuagem informando com quem eu durmo. — Engoli em seco, imaginando aqueles caninos enormes na minha jugular. — Todos sabem que estamos juntos pelo meu cheiro, pelas alianças… Vamos frequentar os mesmos eventos…
Apresentei todos os argumentos possíveis. Não queria ferir seus sentimentos. Só achava aquilo… inútil.
Adrian balançou a cabeça em negativa, passando a língua pelos dentes, frustrado.
— Então fica combinado assim: se você não me aceita como seu dono, nada de me ter entre suas pernas.
Oi?
Respirei fundo. Inspirei. Expirei. Ele não teria coragem de estragar nossa lua de mel… teria?
— Você não está falando sério, Adrian? — Dei um sorriso tenso, apoiando a mão na cintura.
Ele simplesmente tirou a camisa.
Meu Deus.
Estou sendo chantageada com sexo? É isso mesmo?
Fechei os olhos por um segundo, buscando foco. Ele acha que pode ganhar esse jogo?
Dei alguns passos na direção dele com a expressão provocante que eu sabia que ele adorava. Encostei as mãos em seu peitoral.
— Meu bem… se é para viver um grande amor, às vezes precisamos ceder em algumas coisas, não é verdade? Eu entendo… — deslizei os dedos até o “V” que se formava no abdômen, sentindo seu corpo reagir como eu previa. — Mas me morder não será uma delas. Desculpa.
**Artemísia
— Olha se não é a nova loba de gelo…
Aurin me envolveu num abraço apertado e animado.
Esperei o tremor nas pernas. O coração disparado. As mãos suando.
Nada.
— Que bom te encontrar. Como você está, Temi?
Ele me puxou para a pista de dança. Nem precisei olhar para sentir Felipe por perto.
— De que me valeram tantos planos? No fim, fiz exatamente o que mandaram… não foi, Aurin?
Eu estava irritadiça. Ansiosa para falar com minha mãe.
— Não reclama. Pelo seu cheiro, você tem aproveitado — disse ele, piscando com aquele sorriso maroto.
Falava como meus irmãos, tentando me animar.
Preciso enterrar essa ilusão de vez.
— A solução para minha vida é eu ele se acertar.
— Achei que você não se importaria. Estava bem animada com o cara de asas na pista… Talvez prefira um casamento aberto.
Um rosnado escapou da minha garganta antes que eu conseguisse conter. Por sorte, a música abafou.
Minha loba subiu à superfície num segundo.
Virei e fui para a saída.
Felipe me seguiu em silêncio.
Assim que entramos no quarto, a tensão explodiu num beijo urgente. Meus dedos abriram os botões da camisa dele com habilidade. Ele puxou as alças do meu vestido. O volume sob o tecido mostrava que já tinha esquecido qualquer promessa de não me tocar.
Suas mãos me ergueram contra ele. A boca quente percorria minha pele. Minhas unhas marcaram suas costas. A tensão virou necessidade.
Ele me deitou na cama, e eu inverti a posição, dominando-o por um instante. Meu corpo ardia. Minha intimidade estava quente, pronta.
Mas quando ele tentou me puxar para si, para se unir a mim, algo dentro de mim esfriou.
Foi como um balde de água gelada.
— Você não me quer? — ele perguntou, confuso.
— Eu…
Pensei em como explicar meu diagnóstico, mas não estava conseguindo raciocinar rápido com o calor do momento.
— O que está pensando? Naquele maldito cara com asas? É por isso que você estava distante? A quanto tempo é apaixonada por ele Artemísia?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...