Adam
— Você... está rebolando? — perguntei incrédulo.
— Eu não! Você que está esfregando esse negócio em mim.
— Sei...
Levantei-me e segui para o banho frio. De novo.
Quando cheguei ao estacionamento da sede, já podia ouvir os cochichos. Um avisando ao outro que eu havia chegado — como se eu não tivesse audição de lobo superior a deles.
Entrei na minha sala e comecei a digitar meus relatórios, tentando me distrair da lembrança do cheiro dela.
— Adam — o Beta entrou, cruzando as mãos sobre a mesa. — Faz uma semana que não volto pra casa e quinze dias que o Gama não volta pra dele, a companheira do Gama já o ameaçou de morte e a minha acha que a estou traindo. Nós já pedimos desculpas, nunca mais vamos rir em nenhum jantar seu.
O Gama entrou atrás, com cara de cachorro abandonado, depositando uma pilha de papéis na mesa.
— Supremo, a quarta secretária pediu demissão este mês. Eu sou o líder dos guerreiros da matilha do Norte e estou em modo secretária de novo.
— Contratem com mais eficiência.
— A última tinha mais de uma década de experiência! — ele retrucou, incrédulo.
A verdade é que o problema não era eficiência. Era eu.
Ter minha fêmea em cio e não poder tocá-la era uma tortura.
De repente, o ar faiscou e se abriu em um vórtice luminoso.
Eu já conhecia aquele portal.
Ania, a fada amiga da Eliz.
— Adam! — ela gritou antes mesmo de surgir por completo. — Eliz está sendo atacada na matilha do Sul!
Nem pensei. Me transformei no mesmo instante e saltei para o outro lado.
O cenário era caos: o pai de Eliz estava nu, caído em meio a uma poça de sangue, guerreiros lutavam contra renegados, e o cheiro de sangue dominava o ar.
Eliz
A lua prateava a floresta enquanto eu corria em quatro patas, o vento frio cortando meu pelo.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.