Adrian
A boca da humana se abriu em um perfeito “o”. Sua postura se alinhou, como quem vai à batalha; o rosto que já havia mudado de cor pela notícia agora adquiriu outro tom — passou do rosado para o branco pálido.
Sua reação estava dentro do esperado para uma fêmea humana que acabara de descobrir que sua família é alvo de algum psicopata. Espero que a resposta seja positiva — é egoísta, eu sei, mas é o caminho mais fácil para me aproximar dela. Lobos necessitam de intimidade com seus parceiros ou enfraquecem.
Vanessa levantou-se com um ar aristocrático.
— Tentando me manipular, como meu ex, Adrian?
Engoli a saliva. Se ela fosse loba, bastaria soltar minha aura de Alfa Supremo e submetê-la até que sua loba sentisse necessidade de mim. Porém a deusa Selene não anda facilitando a vida dos machos da minha família: uma humana sequer vai sentir minha aura; se eu a submetesse, ela teria apenas horror e medo de mim pelo resto da vida.
— Estou te dando uma escolha. E qual é a sua resposta?
— Como eu seria sua esposa? — ela perguntou. — Eu sequer sei como são seus costumes, sua cultura. Você não está pensando direito; não vai me querer por esposa. — Ela apontou a cicatriz no rosto. — Olha isso.
— Sua cicatriz vai diminuir com o tempo, e sei que você é muito inteligente; logo aprenderá nossas regras.
— Veja: você é um lobisomem jovem e bonito — meu lobo se pavoneou com o “bonito” — deve ter várias “lobisfêmeas”, ou seja lá como chamam suas mulheres, formando fila atrás de você. Uma esposa só te prenderia.
Ela me elogiava e me rejeitava ao mesmo tempo; essa fêmea me acha um tolo.
Aproximo meu rosto do dela.
— Posso conviver com isso.
Ela afastou o rosto rapidamente, como se eu tivesse a peste. Levantou-se e foi para o outro lado da cama, como se isso me impedisse de pegar o que quero.

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