Eliz
Leon abriu a porta do SUV. A fêmea saltou do banco e recuou assustada para o canto, o olhar em desespero cravado nele.
— Saíam. —falei firme, Leon acenou com a cabeça e chamou Eron com um gesto, afastando-se.
Eu poderia carregá-la — Mili não pesava mais do que uma adolescente subnutrida. Mas ela precisava dar os próprios passos, começando a conquistar sua liberdade, primeiro na mente.
— Como se chama?
— Mili... — Ela parecia travada por dentro, sem conseguir se mover.
Lívia chegou, abriu mais a porta e falou com frieza, arqueando uma sobrancelha:
— Vai sair daí ou quer voltar pra onde estava?
Mili saltou para fora tão rápido que me atropelou no caminho.
— Desculpe... — Seus olhos marejados refletiam puro terror. Seu corpo inteiro tremia, como se esperasse ser punida a qualquer segundo.
— Presta atenção. Você está segura agora. Esses machos são da minha confiança. Não torturam, não forçam nada íntimo, e não batem em fêmeas. Entendido? — Lívia falava firme.
Uma mulher humana chegou com um kit de primeiros socorros nas mãos.
— Vocês conseguiram. Graças a Deus. — Ela começou a auscultar Mili e tirar alguns remédios da bolsa. O carro dela estava estacionado na frente do nosso. Assim que Mili reagisse, partiriam para o esconderijo. O macho dela já devia ter sentido sua ausência.
— Vamos embora. — A médica se voltou para Lívia com um olhar de repulsa contida. — Eu te atualizo, Lycan... e obrigada.
— Certo, Doutora. Nos vemos mais tarde. — Lívia arqueou uma sobrancelha.
— Vamos, antes que nos alcancem. — Leon entrou no SUV e ligou o motor.
Silêncio no carro.
Não aguentei.
— Quem fez aquilo com a Mili?
— O vampiro com quem ela acasalou. O sangue dela é raro, tem alguma herança ancestral que deixou ele... viciado. A médica, Helena, foi chamada pra acompanhar a gravidez. Quando viu o estado dela, denunciou ao Conselho onde trabalho. Fizeram uma inspeção, mas ele a escondeu bem.
— Grávida... Pela Deusa da Lua... — murmurei.
— Esse negócio de companheiro às vezes é o túmulo de uma loba.
Chegamos. Ao descer do veículo, senti os olhos azuis de Leon me observarem com intensidade. Desviei imediatamente. Me sentia imunda por dentro.
— Então você será minha guerreira silenciosa. Eu serei o rosto... e você, as garras. Já que ainda insiste em se esconder do Supremo.
— Você parece adivinhar meus pensamentos, credo...
Ela ignorou o comentário e continuou empilhando sacolas.
— Ajuda aqui, pega essas bolsas. Mili jamais ficará nua de novo, se depender de mim.
No estacionamento, Lívia apontou para um Porsche Panamera cinza escuro.
— Tá vendo aquele carro? pega o documento no porta-luvas.
— Que fêmea mandona, credo...
Abri a porta, peguei o envelope e... quase caí dura. Havia uma fita de presente e o carro estava em MEU nome!
— Você é completamente louca! — gritei, pulando feito criança. — Ele é lindo!
— Que fique claro: você decidiu não ser Luna... sozinha. — ela disse, arrancando com o carro.
Entrei no meu Porsche com um sorriso nos lábios. Meu novo caminho começava ali, acelerando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...