Eliz
Aceita?
Isso não pode estar acontecendo. Meu sangue dessa vez gelou de medo.
Devo ter feito algo muito errado em uma vida passada, porque quanto mais tento me mover, mais me afundo.
— Eu cuidarei para que seu neto nasça. Depois disso, vai depender se Adam, o companheiro dela, vai querer aceitá-la de volta com a criança ou não.
Como meu companheiro não iria me querer? O que estava acontecendo?
Senti meu sangue correr forte pelas veias, cada batida pulsava dentro de mim. Tudo em mim gritava uma única palavra: fuga.
Esse negócio de ser uma fêmea destinada só podia ser um castigo de Selene. Eu me sentia amaldiçoada.
Queria gritar com todas as forças. Queria correr o mais longe possível. Mas, em vez disso, permaneci imóvel, ombros erguidos, olhar petrificado. Afinal, ele era o rei — e detinha as leis do meu povo. O que eu poderia dizer?
Gustavo me encarou. As lágrimas escorriam grossas pelo meu rosto.
— Lembre-se, esse filhote é o futuro de Garras de Gelo.
— Eu não tenho, nem nunca tive negócio algum com sua matilha. E um filho meu também não terá. — Falei deixando claro que ele poderia arrumar outro para herdar sua matilha.
O lobo olhou de mim para o rei como se fosse um aviso. Pude ver algo nele — culpa, remorso talvez. Não sabia se era pela minha vida, que ele acabara de destruir, ou pelo filho que havia perdido. Quando ele saiu, consegui ao menos respirar.
— Vamos embora. Não vou esperar os dois Supremos acordarem.
— E o que acha que vai acontecer quando ele souber que você carrega o filhote de outro? Melhor para ele estar de coração partido... ou morto?
Eu não sabia responder. Será que Adam realmente não me aceitaria por estar grávida do filho de Gael? Ele sabe que fui forçada.
— E como acha que seu pai vai reagir, se enxergar que o Gustavo ou o Adam são uma ameaça para você?
Me calei diante da lógica do Rei. No fim, tudo acabaria em carnificina.
Entrei no carro. Ao longe, vi o olhar de Kane. Pelo menos ele sabia que, dessa vez, eu não estava fugindo por vontade própria. Consegui me despedir da minha mãe, e isso já era um alívio.
Ao chegar ao palácio, fui levada a uma alcova. O cômodo era limpo, os lençóis impecáveis. Tudo decorado com bordados e detalhes dourados — que eu não duvidava serem ouro de verdade. Mas a ausência de janelas destruía qualquer encantamento.
Fiquei em uma ala separada, com dois guardas de vigia diante da porta. Até que ouvi uma voz feminina, exigindo entrada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...