Eliz
— Não! Não fará isso. — A voz do Rei ecoou, e sua aura se expandiu por todo o lugar, impondo silêncio imediato.
— Eu não vou aguentar a vergonha e a humilhação! — As palavras saíam entre soluços. — Não vê que Adam não vai mais me aceitar? Que o nome dos meus ancestrais, falado com orgulho até hoje, será manchado por minha causa? O contrato foi feito no meu nascimento!
Um soluço profundo brotou na minha garganta. Senti minha alma se partir.
A rainha Júlia me abraçou, murmurando palavras de conforto que mal consegui registrar.
— Falaremos sobre isso quando estiver mais calma. — A voz grave do Rei não soava autoritária dessa vez, mas preocupada.
Mesmo assim, eu queria o meu companheiro... minha família. Não eles. Não agora.
Virei o rosto para a parede, em silêncio, já imaginando como acabar com a vida miserável que eu tinha. Estou muito cansada de tudo isso.
A médica colheu meu sangue para exames e saiu.
— Eliz?... Eliz... — ouvi o Rei me chamar, mas não respondi.
Depois disso, não atendi a nenhum chamado. Era como se minha mente tivesse se desprendido do corpo.
Quando todos saíram, levantei da cama e fui para o banheiro. Entrei na banheira e fiquei ali, olhando para o nada.
Deixei minhas garras aparecerem e fiz um corte em um dos pulsos — o sangue começou a escorrer imediatamente.
Cortei o outro. Como loba, eu cicatrizava rápido, então continuei abrindo ferimentos em cada ponto onde sabia haver uma artéria. Já buscava a do pescoço quando senti uma mão segurar a minha.
Minha visão escureceu antes que eu pudesse ver quem era.
...
Algum tempo depois, o cheiro de desinfetante e álcool me atingiu.
Tentei mexer as mãos, mas algo as prendia. Abri os olhos: estavam amarradas à cama com fios finos de prata.
Nem para morrer eu servia. Que incompetente eu me tornara.
Em uma poltrona, uma figura me observava — uma das mãos apoiava o queixo, o cenho franzido em preocupação.
— E os companheiros de Lívia... a aceitaram de volta? — perguntei, temendo a resposta.
Ania arregalou os olhos, surpresa.
— Mas é claro! Eles são companheiros, Eliz. O Supremo também te quer de volta.
— O Rei me disse que ele não me aceitaria... por eu carregar o filhote de outro. — confessei, envergonhada.
— Mesmo que fosse assim? — Ela fez um gesto com o nariz arrebitado, típico dela. — Desde quando o Supremo precisa que falem por ele?
— Eu não entendo, Ania.
— Pelo que soube, a questão é o seu filhote. — Ela baixou a voz, revelando o que provavelmente ouvira de Atenor. — Gustavo acredita que o bebê deve ser criado por ele e pela matilha, aprendendo a usar seus poderes. Você sabia que eles são os únicos lobos capazes de transformar qualquer líquido em gelo? Imagina isso em uma batalha! — Ania se empolgou, mas logo voltou ao assunto. — Já Adam acha que você deve interromper a gestação. E seu pai acha que você não aceitaria ficar longe da criança.
Meu sangue começou a ferver.
O coração pulsava tão forte que os ferimentos voltaram a sangrar.
Aqueles trogloditas não podiam me dar um tempo sequer para respirar?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...