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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 82

Eliz

— Não! Não fará isso. — A voz do Rei ecoou, e sua aura se expandiu por todo o lugar, impondo silêncio imediato.

— Eu não vou aguentar a vergonha e a humilhação! — As palavras saíam entre soluços. — Não vê que Adam não vai mais me aceitar? Que o nome dos meus ancestrais, falado com orgulho até hoje, será manchado por minha causa? O contrato foi feito no meu nascimento!

Um soluço profundo brotou na minha garganta. Senti minha alma se partir.

A rainha Júlia me abraçou, murmurando palavras de conforto que mal consegui registrar.

— Falaremos sobre isso quando estiver mais calma. — A voz grave do Rei não soava autoritária dessa vez, mas preocupada.

Mesmo assim, eu queria o meu companheiro... minha família. Não eles. Não agora.

Virei o rosto para a parede, em silêncio, já imaginando como acabar com a vida miserável que eu tinha. Estou muito cansada de tudo isso.

A médica colheu meu sangue para exames e saiu.

— Eliz?... Eliz... — ouvi o Rei me chamar, mas não respondi.

Depois disso, não atendi a nenhum chamado. Era como se minha mente tivesse se desprendido do corpo.

Quando todos saíram, levantei da cama e fui para o banheiro. Entrei na banheira e fiquei ali, olhando para o nada.

Deixei minhas garras aparecerem e fiz um corte em um dos pulsos — o sangue começou a escorrer imediatamente.

Cortei o outro. Como loba, eu cicatrizava rápido, então continuei abrindo ferimentos em cada ponto onde sabia haver uma artéria. Já buscava a do pescoço quando senti uma mão segurar a minha.

Minha visão escureceu antes que eu pudesse ver quem era.

...

Algum tempo depois, o cheiro de desinfetante e álcool me atingiu.

Tentei mexer as mãos, mas algo as prendia. Abri os olhos: estavam amarradas à cama com fios finos de prata.

Nem para morrer eu servia. Que incompetente eu me tornara.

Em uma poltrona, uma figura me observava — uma das mãos apoiava o queixo, o cenho franzido em preocupação.

— E os companheiros de Lívia... a aceitaram de volta? — perguntei, temendo a resposta.

Ania arregalou os olhos, surpresa.

— Mas é claro! Eles são companheiros, Eliz. O Supremo também te quer de volta.

— O Rei me disse que ele não me aceitaria... por eu carregar o filhote de outro. — confessei, envergonhada.

— Mesmo que fosse assim? — Ela fez um gesto com o nariz arrebitado, típico dela. — Desde quando o Supremo precisa que falem por ele?

— Eu não entendo, Ania.

— Pelo que soube, a questão é o seu filhote. — Ela baixou a voz, revelando o que provavelmente ouvira de Atenor. — Gustavo acredita que o bebê deve ser criado por ele e pela matilha, aprendendo a usar seus poderes. Você sabia que eles são os únicos lobos capazes de transformar qualquer líquido em gelo? Imagina isso em uma batalha! — Ania se empolgou, mas logo voltou ao assunto. — Já Adam acha que você deve interromper a gestação. E seu pai acha que você não aceitaria ficar longe da criança.

Meu sangue começou a ferver.

O coração pulsava tão forte que os ferimentos voltaram a sangrar.

Aqueles trogloditas não podiam me dar um tempo sequer para respirar?

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