Eliz
Uma enfermeira entrou no quarto, e o lugar onde Ania estava há pouco agora estava vazio. Pisquei algumas vezes.
Será que estou ficando louca?
A enfermeira saiu — e, de repente, Ania estava lá de novo.
Abri bem os olhos para ter certeza de que era real. A fada começou a rir da minha cara, se divertindo com minha confusão.
— O que você está aprontando, Ania? — perguntei, estreitando os olhos.
Ela ficou vermelha de tanto rir.
— Tá bom, tá bom... Tecnicamente, eu não poderia estar aqui. O Rei não quer deixar ninguém te ver. E eu não posso deixar meu lobinho levar castigo por minha causa.
O “lobinho” a que ela se referia era seu companheiro, Atenor — e ele tinha quase dois metros de altura.
— Então falei com a bruxa Gladis e aprendi um feitiço de invisibilidade — completou, orgulhosa.
— Entendi... — suspirei, recostando a cabeça no travesseiro, perdendo a esperança de ela abrir um vórtice e me dar fuga.
— Não faz essa carinha de cachorra abandonada! — Ela cruzou os braços. — Até parece que eu e Lívia íamos te deixar aqui. Bolamos um plano daqueles — como nos velhos tempos, quando você salvava lobas.
Um sorriso orgulhoso iluminou o rosto delicado dela.
Levantei a cabeça, esperançosa. Meus olhos atentos aos dela.
— Às oito horas, quando todos estiverem no jantar que a rainha Júlia vai dar — aliás, ela organizou esse jantar pra te ajudar, disse que te tirar daquela banheira partiu o coração dela —, uma loba vai entrar aqui pra “limpar” o quarto. Ela é uma das nossas. Você vai sair no carrinho com ela.
Fiz uma nota mental de agradecer à rainha assim que pudesse.
Logo em seguida, entraram no quarto a médica e o Rei Lucien.
— Está se sentindo melhor, Eliz? — perguntou a médica.
Levantei a mão, mostrando o fio de prata que me amarrava.
— Isso foi pro seu bem — disse ela. — Não queríamos que se machucasse de novo.
— Eu quero ver minha família — respondi, olhando diretamente para o Rei.
— Isso não será possível até seus filhotes nascerem e forem entregues ao avô —respondeu ele, com a voz firme.
— Então eu fico seis meses escondida pra apaziguar a ira dos machos? Depois é só parir, entregar os filhotes e voltar à minha vida normal?
Enfim, minha prisão estava com os dias contados.
Ela começou a soltar meus braços, ainda presos à cama pelos fios de prata. Assim que fiquei livre, pulei da cama, corri até o banheiro e esfreguei o corpo com uma toalha, tentando apagar o máximo do cheiro.
Depois enrolei a toalha e fiz um monte com travesseiros sob o lençol, jogando a toalha por cima.
Isso deixaria meu cheiro ali por mais um tempo.
— Vamos — sussurrei.
O carrinho de limpeza tinha um pequeno compartimento para os lençóis sujos. Subi ali, e quase o carrinho virou com o meu peso, mas a loba o segurou a tempo.
— Desculpa — ela murmurou, nervosa.
— Está tudo bem. Vamos logo!
O carrinho começou a se mover. Tentei acalmar as batidas do meu coração, respirando devagar.
Era a troca de turno dos guardas, mas os ouvidos deles eram sensíveis demais.
Um erro e tudo estaria perdido.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...