Eliz
Sinto o carrinho descer pela rampa do subsolo que leva ao estacionamento. Respiro com mais alívio, embora o aperto, o calor e o sangue que perdi me deixem enjoada e zonza.
A fêmea me ajuda a descer do carrinho. Ainda estou fraca. Entramos em um veículo de vidros escuros que nos aguardava. Assim que as portas se fecharam, o Beta Eron — da matilha Lycan onde vivi — arrancou o carro.
— Obrigada. — Falei olhando pelo retrovisor, vendo o hospital lupino ficando para trás.
— Disponha. — Ele me deu um meio sorriso, o tipo de olhar que dizia: já te vi em dias melhores. Ignorei.
Eron pegou uma mochila e me entregou. Era a minha. Apertei contra o peito como uma criança com um brinquedo querido. Ali estavam meu laptop, o telefone por satélite, minha conta bancária… e o que restava da minha dignidade.
— Ania pediu para entregar. Ela vai te ver assim que as coisas esfriarem por lá.
Eu entendia. Minhas amigas seriam vigiadas, e os lugares mais prováveis — como a minha matilha — revistados.
— Pra onde vamos?
— Cidade humana São Paulo. Amara vai ficar com você por enquanto. Um apartamento que antes servia para esconder as fêmeas resgatadas.
— Me deixa fazer uma ligação antes. Quero falar com meu companheiro antes de sumir.
Ele me olhou sério.
— Seja rápida.
O carro encostou à beira da estrada. Fui até uma árvore próxima, tentando criar coragem. Peguei o telefone com as mãos trêmulas e disquei para Adam.
***Adam
Olhava aquele bando de lobos dançando pra lá e pra cá. Só estava ali porque o Rei me chamara — do contrário, teria ficado longe.
— Adam, uma guerra não vai resolver nada. O Gael já está morto.
— Quero o Gustavo longe da minha fêmea. Quero qualquer um da matilha Garras de Gelo longe. Quero esquecer que aquele evento existiu. E como vou fazer isso olhando para uma cria deles?
O Rei suspirou. Nossa conversa não levaria a nada. Eu não ia ceder.
O Beta bateu na porta e entrou, sério.
— O segurança da Eliz disse que ela desapareceu.
Olhei de um para o outro. Melhor ir embora — nem tinha forças pra xingar. Levantei-me e caminhei até a saída.
— Colocarei nossos melhores guerreiros nisso — disse o Rei.
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