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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 88

Artemísia

Embora a autoridade facilite algumas coisas, certamente não ajuda a fazer amizades sinceras. Essas, você precisa garimpar e depois cultivar. Foi assim que minha mãe me ensinou desde pequena. Ela sempre teve grandes amigas.

No escritório, os pais de Lucila estavam sentados, admirando as imagens que eu projetava na tela. Eu lhes assegurava o quão confortável e bem cuidada sua filha estaria.

— Luna, muito obrigada. Nunca pensei que minha menina fosse estudar em um lugar assim.

A mãe de Lucila falava eufórica enquanto eu mostrava as imagens da universidade que ela frequentaria no Norte.

— E, claro, ela poderá visitar vocês nas férias. E vocês poderão visitá-la sempre que puderem.

Eu caprichava na apresentação, embora a expressão de Lucila não fosse nada animadora.

— Obrigado, Luna. Mas como pagaremos por tudo isso? Não me parece algo que um ômega frequente.

O pai dela perguntou, desconfiado. Afinal, nada costuma ser de graça neste mundo.

— Será pago por mim. Sua família está aqui há gerações, e as coisas vão mudar. Quero que estejam preparados. Também enviarei convites a outras meninas da idade dela. Ao contrário do que pensam, não planejo destruir esta alcateia. Quero fortalecê-la em número e poder.

Vi o maxilar dele travar. Seu olhar permaneceu cauteloso.

— Tenho apenas um pedido a fazer.

Os olhos do pai sustentaram os meus, como quem já esperava algum preço.

— A deusa quis que a companheira do meu irmão, Adrian, fosse uma humana. Gostaria que Lucila a ajudasse a se orientar pelos costumes das nossas fêmeas, avisando-me caso note algo estranho. Meu irmão estará com ela sempre que puder, mas é apenas para facilitar sua adaptação.

O pai de Lucila relaxou visivelmente. Era mais fácil aceitar uma troca. Assim, não ficaria me devendo nada.

— Isso será fácil. Minha Lucila foi criada com rigor pela mãe. É esperta, dedicada e trabalhadora.

— Muito bom. Então estamos entendidos.

Quando os pais saíram do escritório, Lucila fechou completamente a expressão.

— Não faça essa cara. Parece que estou te mandando para a guerra. Credo.

— Não sei do que está falando, soberana Luna.

Seu rosto delicado endureceu, e o tom levemente debochado não me passou despercebido. Decidi ignorar. Mantive a voz fria, criando uma distância emocional que não combinava com ela. Seus pés, inquietos, denunciavam o nervosismo.

— Sei que você não gostou. Mas, se não quiser a área da saúde, existem várias outras. Escolha o que quiser. Você não será apenas a fêmea de algum macho. Será Lucila. Saberá do que gosta, experimentará coisas novas, terá suas próprias opiniões. Será uma fêmea muito mais interessante.

Por fim, ela me olhou e assentiu.

— Entendo… acha que sou simplória para um alfa…

Seu tom entristecido me atingiu.

— Não. Você é jovem e inexperiente, só isso.

Aproximei-me, com vontade de abraçá-la, mas não sabia se ela ainda estava brava.

Ela assentiu levemente e saiu, um pouco mais convencida. Ou assim eu espero.

Alguns minutos depois, Vanessa bateu à porta, colocando apenas a cabeça pela fresta.

— Ocupada?

Parecia que a ordem de não entrar sem permissão havia se espalhado.

— Para você? Nunca. Entre.

Aproveitei sua companhia para fazer um lanche.

— Quer alguma bebida?

Mordi um pedaço do sanduíche.

— Mas deixemos Lucila de lado. O que você precisa, Vanessa?

Eu já começava a reconhecer seus sinais.

— Vim saber como vão suas consultas…

Achei aquilo quase fofo, embora ela tivesse a expressão de quem pretendia me dar um sermão.

— Esta manhã falei com o terapeuta e com a sexóloga. Também marquei yoga para amanhã. Ainda preciso de uma médica lupina, mas não quero me ausentar agora.

Suspirei.

— Então por que ainda não trouxe uma até aqui, mocinha? Precisa cuidar melhor da sua saúde.

Vanessa me olhou com ceticismo, como se médicas lupinas brotassem das árvores.

— Vou cuidar disso hoje mesmo, prometo. E posso marcar uma consulta para você também, se quiser tirar dúvidas.

— Ótimo. Quero saber sobre filhos de humanos com lobisomens. Seu irmão me olha como um cachorrinho implorando por um filhote.

Ela revirou os olhos.

— Felipe também perguntou sobre um filhote antes de ter uma convulsão. O lobo deles não permite outro caminho.

— E como você está lidando com o apetite dele? Ele olha para você como se fosse o último gole d’água no deserto.

— Sério? Nunca reparei nesse olhar. Mas o apetite… esse eu notei. Nem a porta dos fundos escapou.

Os olhos dela brilharam.

— Sério? Me conta tudo. Fofoca é vida.

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