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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 89

Eliz

— Margarida, providencie jóias, sapatos e roupas para ela.

Ele colocou uma pequena bolsinha de couro no cinto, virou-se no balcão e várias moedas de ouro reluzente caíram, tilintando.

A fada levantou as asas cintilantes e começou a tirar minhas medidas com alegria, praticamente voando. Quando mediu a cintura, olhei desconcertada para Calendi, que pigarreou.

— Melhor que não marque a cintura.

— Como não? Vai parecer que está grávida...

com esse tecido... — Ela parou e olhou de um para o outro com um sorriso maroto.

— Está... esperando? — A fada quase engasgou e os olhos esbugalharam. Parece que fofoqueiras são iguais em todos os reinos.

Fiquei calada — eu ainda não sabia exatamente as regras deste mundo.

— Está, Margarida. Aproveite e já comece a costurar um enxoval luxuoso. Terá algum tempo até o nascimento.

Ao sairmos da loja, deixamos Margarida entusiasmada com nossos pedidos. Prometeram que meus vestidos chegariam amanhã. Quanto ao enxoval, ela iniciaria o básico, mas o restante seria feito quando soubessem se é menino ou menina. O gesto dele me fez perceber o quanto fui negligenciada; Adam nunca me dera um presente — salvo o colar do casamento, que era mais para exibição, portanto não conta.

— Eu faço a transferência para sua conta quando voltarmos.

Ele me lançou um olhar frio, de cima a baixo.

— Por acaso acha que eu não consigo pagar?

— A voz dele continuava fria como sempre, ainda assim emanando autoridade.

Apressei-me a negar com as mãos.

— Não quis dizer isso. É só que já estou dando tanto trabalho e não quero causar prejuízo. Não fique bravo.

Me defendi. Que temperamental. Eu não podia ofendê-lo; onde conseguiria outro esconderijo tão bom assim?

— Não fiquei bravo com você, Eliz. Seu dinheiro não vale aqui.

Fiquei decepcionada por não poder ressarcir o valor.

No caminho de volta, o caminho cercado por flores continuava um encanto. Colhi algumas para colocar no quarto.

Em casa, ele me preparou o almoço, que foi tão bom quanto o café. O cuidado de Calendi deixa meu coração inexplicavelmente aquecido. Será que estou com variação hormonal por causa da gravidez? Deve ser isso.

Calendi colocou nosso almoço; desta vez, colocou uma grande tigela de salada para si.

— Como isso te sustenta o dia todo? — Não fazia sentido, para mim, que ele se sustentasse apenas com folhas.

Ele espetou o garfo em uma pequena flor amarela na tigela.

— Experimente; quem sabe seu lado humano goste.

De fato, a flor era mais densa do que as que eu havia visto; fazia um “crec” ao ser mordida, e o sabor era aceitável.

— Ainda prefiro carne.

Ele mastigava enquanto balançava a cabeça em negativa, um sorriso insinuando-se em seus lábios vermelhos e bem desenhados — perfeitos para serem beijados.

— Eu tentei. — Seus olhos felinos acompanhavam meus movimentos, e senti-me a presa de um caçador. — O que quer saber, Eliz?

— Eu... a Margarida te chamou de “Senhor do Fogo”.

— E se você cair? Melhor vir comigo.

Eu não morreria por segui-lo, e já devia estar atrapalhando sua rotina.

— Vou sim. Ainda não tenho roupas adequadas.

— Ninguém ousaria ir contra você abertamente ao meu lado.

— Selene, devo me preocupar com isso? — Perguntei, dando um sorriso. No caminho, embalada pelo balanço, acabei adormecendo e minha cabeça pousou em seu ombro.

— Chegamos, venha! — Ele me deu a mão como da primeira vez: quente e firme.

O lugar era imenso, como um grande galpão, com nichos cheios de rolos que pareciam papiros — antigos e amarelados — do chão ao teto, e escadas que levavam às partes mais altas.

— A sua espécie não gosta de tecnologia, não é?

— Ninguém confia em algo que pode ser facilmente modificado pela magia. Os papiros são oficiais; têm uma blindagem mágica.

Seguimos pelo galpão até que ele parou em uma fileira, subiu numa escada e voltou com quatro rolos debaixo do braço.

Quando saímos, uma elfa linda parou à nossa frente. Aquele olhar eu conhecia; se raios saíssem dela, eu estaria reduzida a pó.

Ele não comentou quem ela era; respeitei o silêncio dele.

Ele passou a tarde examinando os papiros em seu escritório.

E eu tentei fazer meu laptop funcionar no quarto — tanto ele quanto o meu telefone não captavam sinal algum desde que cheguei aqui. Desisti. Vou pedir ajuda ou alguma magia; como vou ficar aqui sem contato com meu mundo e minha matilha? Desci até o escritório. Ele não estava lá. Ele não sairia e me deixaria sozinha sem avisar; então comecei a entrar nos cômodos à sua procura.

No final, encontrei um lugar como se tivesse sido esculpido na própria rocha: uma piscina redonda borbulhando; tochas fracas, uma de cada lado, faziam com que o contorno do seu corpo se destacasse. Seus braços estavam esticados ao redor da borda e a cabeça jogada para trás, relaxada. Engoli em seco.

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