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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 109

“O perigo não está em querer. Está em perceber que não há mais vontade de recuar.”

Havia noites em que Damian Cavallari não precisava de inimigos.

Bastava o silêncio, o álcool mal digerido e a consciência exata de que algumas vontades, uma vez despertas, não aceitam mais o retorno ao ponto de origem.

Na calada da madrugada, a mansão Cavallari estava mergulhada em um silêncio pesado, daqueles que não chegam a ser paz, apenas uma pausa. A única coisa que rompia a quietude era o som baixo e perfeitamente calibrado de um pop alternativo contemporâneo, fluindo de uma caixa de som embutida quase invisível, preenchendo o ambiente com acordes minimalistas e elegantes.

Damian estava no sofá, largado de um jeito que raramente se permitia durante o dia.

Vestia apenas uma calça de moletom cinza, usada para dormir, caída de forma preguiçosa nos quadris, e nada mais. O torso nu revelava o cansaço acumulado em músculos relaxados pela primeira vez em horas, talvez dias. Os cabelos castanhos estavam bagunçados, desalinhados pelo sono interrompido e pelo leve torpor do álcool que ainda aquecia o sangue, não o suficiente para derrubá-lo, apenas o bastante para baixar defesas que ele normalmente mantinha altas demais.

Uma garrafa de uísque repousava sobre a mesa baixa, quase cheia, como se ele tivesse parado mais por esquecimento do que por decisão.

Damian encarava o nada, ou melhor, memórias.

A música seguia, uma daquelas canções que carregam uma melancolia suave, quase nostálgica, falando de noites longas, escolhas erradas e amores que nunca foram simples. Ele fechou os olhos por um instante, deixando o som atravessá-lo, como se fosse mais fácil sentir do que pensar.

Foi então que Elena acordou.

O relógio marcava pouco depois das três da manhã quando ela abriu os olhos, sentindo a garganta seca demais para ignorar. Levantou-se devagar, ainda meio envolta pelo sono, e vestiu o robe fino de seda preta sobre a camisola do mesmo tom, deixando o tecido escorrer pelo corpo com uma elegância.

Desceu as escadas em silêncio, os pés descalços tocando a madeira fria, guiada pela necessidade simples de um copo d’água, mas não chegou à cozinha.

O som da música a deteve no meio do caminho.

Ela diminuiu o passo ao reconhecer a melodia antes mesmo de localizar a origem do som. Um arrepio suave percorreu-lhe os braços. Não era exatamente aquela música específica que ela conhecia, mas a sensação que vinha junto com ela, o tipo de canção que se associa a momentos marcantes, aqueles que não passam com o tempo e acabam ficando presos na pele, misturados à memória e ao corpo.

Elena seguiu o som e parou na entrada da sala e o viu.

Damian estava sentado no sofá, com o corpo grande afundado nas almofadas, uma perna dobrada, o braço jogado sobre o encosto, a cabeça levemente inclinada para trás. A luz fraca de um abajur no canto desenhava sombras suaves sobre o peito nu, realçando a linha do maxilar, a barba por fazer, a expressão distante e perigosa.

Não era o CEO implacável do dia. Era o homem real, vulnerável o bastante para não fingir.

O coração de Elena acelerou sem pedir licença.

Ela ficou ali por um segundo a mais do que deveria, observando-o em silêncio, como se tivesse medo de quebrar algo frágil demais para ser tocado. A música continuava baixa, íntima, preenchendo o espaço entre eles.

Até que Damian abriu os olhos, não se assustou, era como se soubesse que ela estava ali antes mesmo de vê-la.

Os olhos azuis se ergueram devagar e encontraram os dela, verdes, atentos, presos nele como se não houvesse mais nada naquela casa inteira, fazendo o tempo desacelerar. Um sorriso mínimo, quase preguiçoso, curvou os lábios dele, não de ironia, mas de reconhecimento.

Capítulo 109 -  O Silêncio Antes da Entrega 1

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