“Esperar só é virtude quando não dói.”
Alguns amanheceres não trazem respostas.
Trazem lembranças, corpos ainda aquecidos e a sensação incômoda de que algo importante foi dito sem palavras e deixado em suspenso de propósito.
Com um suspiro trêmulo, Elena saiu do banheiro e caminhou até o quarto dele. Damian já não estava mais lá, e ela agradeceu profundamente por isso. Precisava daquele instante sem o peso do olhar dele.
Abaixou-se, pegou a camisola de seda preta caída no chão e a vestiu rapidamente, junto com o robe fino. Os cabelos ruivos caíam em ondas desordenadas sobre os ombros enquanto ela seguia pelo corredor, em passos silenciosos.
Ela parou diante do quarto de Sofia e empurrou a porta entreaberta com cuidado.
A luz suave do amanhecer filtrava pelas cortinas, iluminando a cama onde Sofia dormia profundamente, abraçada aos ursos Mel e Melissa. O coração de Elena se aqueceu ao vê-la assim, inocente e serena. Os fios ruivos cada vez mais presentes eram a prova viva de que aquela batalha, por tanto tempo considerada perdida, estava finalmente ficando para trás.
Elena se aproximou devagar, sentou-se na beira da cama e tocou o rosto delicado da irmã com as pontas dos dedos. O gesto não a acordou por completo, apenas arrancou um murmúrio sonolento e fez Sofia apertar ainda mais os ursos contra o peito, fazendo Elena sorrir.
Mas o sorriso logo se desfez num suspiro profundo, porque os pensamentos voltaram para Damian como uma maré inevitável.
Ela se perguntava por que ele não a deixava tocá-lo. Porque não fazia amor com ela.
Ela sabia que ele a desejava, tinha sentido isso na própria pele, no pulsar do corpo dele contra o seu.
Mas o que o impedia?
O anseio por ser possuída por completo queimava baixo em sua barriga, misturando-se à ternura daquele momento com a irmã. Ela queria que Damian quebrasse aquela barreira, que a tomasse inteira, sem reservas, sem “ainda não”.
Mas, por enquanto, tudo o que existia era a espera e o mistério que o envolvia como uma sombra.
Elena continuava sentada na cama da irmã, com as mãos sobre o colchão enquanto respirava fundo, tentando organizar o turbilhão de sensações.
“Eu sei, princesa… mas ainda não.”
A frase voltou inteira, com o mesmo timbre grave, e o mesmo controle perigoso.
Ela sorriu sozinha, um sorriso pequeno, quase bobo, lembrando da intensidade dele. De como Damian foi ao mesmo tempo feroz e absurdamente carinhoso. Do jeito como a tocou como se estivesse segurando algo precioso demais para ser quebrado.
— Aposto dez dólares que esse sorriso é porque o seu namorado te deu um beijo.
Elena levou a mão ao peito, assustada, e depois riu, sentindo o rosto esquentar.
— Sua danadinha… já está acordada?
Sophia bocejou, esfregando os olhos com o dorso da mão.
— Acordei agora. — fez uma pausa dramática. — E eu ouvi tudo.
— Ouviu o quê? — Elena arqueou a sobrancelha.
— Que você estava sorrindo sozinha. — Sophia sorriu maliciosamente. — Isso só acontece quando alguém gosta MUITO de alguém.
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