“Algumas promessas não são ditas. Elas são preparadas.”
Elena Rossi
Algumas manhãs não anunciam mudanças.
Elas apenas começam a reorganizar a casa por dentro, risadas nos corredores, mesas mais cheias e a sensação silenciosa de que a noite ainda guarda promessas.
Descemos as escadas juntas. Ou melhor… Sophia desceu correndo, como se a casa inteira fosse um playground recém-descoberto, e eu fui logo atrás, tentando acompanhá-la sem perder o fôlego, nem o sorriso.
Ela estava linda.
Vestia uma jardineira jeans clara, com a barra dobrada de qualquer jeito, uma camisa de arco-íris vibrante por baixo e um diadema cor-de-rosa segurando os poucos fios ruivos que começavam a crescer de sua cabeça. Nos pés, os tênis que ela amava, aqueles que piscavam luzes coloridas a cada passo.
E piscavam muito.
— Lena, olha! — ela gritou do meio da escada, pulando de propósito só para ver as luzes acenderem. — Eu sou tipo um vagalume humano!
— Um vagalume muito barulhento. — respondi, rindo.
Eu vinha logo atrás, mais devagar.
Vestia um vestido vermelho, simples, ombro a ombro, justo na cintura e solto nos quadris. Não tinha nada de extraordinário e talvez fosse exatamente por isso que me deixava bonita. Os cabelos ruivos estavam soltos, caindo livres pelas costas, ainda com aquele cheiro leve de sabonete da manhã.
Quando chegamos à sala de jantar, Sophia parou abruptamente. Os olhos dela se arregalaram como se tivesse acabado de entrar num conto de fadas.
A mesa estava posta com tudo o que uma criança poderia amar: panquecas pequenas empilhadas, frutas cortadas em formatos divertidos, suco, chocolate quente, pães macios, geleias coloridas, waffles, cereais… um banquete inteiro pensado para olhos curiosos e estômagos felizes.
Maria estava ao lado da mesa, acompanhada de duas empregadas, todas com sorrisos orgulhosos no rosto.
— AAAAAH! — Sophia gritou, levando as mãos ao rosto. — Fada Maria! Foi você que fez tudo isso?!
Maria riu, balançando a cabeça.
— Eu ajudei a organizar, mas quem fez a mágica foram essas duas aqui. — disse, puxando delicadamente as outras para frente. — Mercedes e Marta.
Sophia virou-se para elas com uma solenidade absoluta.
— Vocês são… — pausa dramática — as duas fadas mais lindas do mundo todo.
Mercedes levou a mão ao peito, emocionada e Marta riu, limpando as mãos no avental.
— Agora vamos, princesa Sophia. — Maria disse, animada. — Antes que esse banquete desapareça sozinho.
— Desaparecer nada. — Sophia respondeu, já se aproximando da cadeira. — Eu vou DEVORAR.

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