“Há quem confunda amor com dor. E há quem precise aprender, muito tarde, que amar também pode ser abrigo.”
Elena Rossi
Eu só entendi o que Damian significava para mim quando percebi o que ele havia passado a vida inteira tentando evitar.
Não foi no momento em que ele me tocou.
Nem quando me beijou.
Foi no intervalo delicado entre uma coisa e outra. No cuidado invisível que precedia cada gesto.
Damian inclinou-se devagar, como se me perguntasse em silêncio se eu ainda estava ali, se queria continuar naquele lugar suspenso entre o que já tinha acontecido e o que ainda prometia existir. Seus olhos demoraram nos meus por um segundo a mais do que o necessário, aquele tipo de pausa que não é hesitação, é escolha.
Quando seus lábios tocaram os meus, foi com suavidade. Um beijo breve, contido, mas carregado de algo que não precisava ser dito para ser compreendido. Não havia urgência. Havia intenção.
Foi um beijo de quem fica, mesmo saindo.
Meu corpo respondeu antes da mente. Os ombros relaxaram, o ar voltou aos pulmões, e senti aquele calor familiar subir pelo peito, espalhando-se devagar, como se o toque dele tivesse reorganizado algo dentro de mim.
Damian afastou o rosto apenas o suficiente para falar. A voz saiu baixa, próxima demais, carregando ainda o peso do momento.
— Preciso tomar um banho — disse. — Tenho que ir para a empresa.
Não havia desculpa ali. Nem culpa. Apenas realidade.
Assenti, mas ele não se afastou de imediato. O polegar subiu devagar até meu maxilar, traçando uma linha suave que fez minha respiração falhar por um segundo. Era um gesto simples, quase cotidiano e justamente por isso devastador.
— Mas prometo que não volto tarde.
Ele sorriu de leve ao dizer isso. Um sorriso pequeno, contido, como se não quisesse fazer da promessa algo maior do que podia cumprir, mas ainda assim quisesse que eu acreditasse.
Meu coração respondeu antes de mim. Apenas assenti novamente, sentindo o rosto esquentar, denunciando tudo o que eu não disse em voz alta.
Foi quando ouvi o suspiro exagerado.
Sophia imediatamente levou as mãos aos olhos, mas deixou um espaço aberto entre os dedos, incapaz de conter a empolgação. Espiava descaradamente, como se estivesse diante da cena mais importante do dia.
— Que romântico! — reclamou, rindo alto, com a voz carregada de teatralidade. — É como nas minhas histórias, tia Bia, quando o príncipe beija a princesa no castelo!
Meu rosto queimou.
Levei a mão ao próprio braço, num gesto automático, tentando conter o constrangimento que subia rápido demais. Damian, ao meu lado, soltou um riso baixo, quase inaudível, daqueles que não pedem licença para existir.


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