“Algumas mulheres descem escadas. Outras fazem homens se ajoelharem por dentro.”
Há noites em que a gente percebe que voltar a ser quem era simplesmente deixou de ser uma possibilidade.
Foi com essa consciência pulsando sob a pele que atravessei a porta da mansão.
O silêncio me recebeu de imediato, amplo, absoluto, sem as risadas de Sophia ecoando pelos corredores, sem passos pequenos cruzando o caminho, sem distrações capazes de me salvar do que realmente importava naquela noite.
Eu estava sozinha, completamente sozinha, e cada batida do meu coração parecia mais audível do que o som dos meus próprios saltos no mármore.
A sacola vermelha pendia dos meus dedos, mas era como se ela me puxasse para frente, como se carregasse um tipo muito específico de promessa que eu ainda não tinha coragem de nomear.
Subi as escadas devagar, sentindo o ar entrar mais fundo nos pulmões a cada degrau, tentando organizar pensamentos que se embaralhavam sempre que a imagem dele surgia na minha mente. O jeito como ele me olhava, como a proximidade alterava a respiração, como o espaço entre nós deixava de ser apenas físico para se tornar inevitável.
— Meu Deus, como eu o amo. — repeti levando a mão ao peito tentando controlar as batidas do meu coração.
Quando entrei no quarto e fechei a porta, permaneci parada por um instante, segurando a alça da sacola com força, não imaginava o que Damian tinha preparado para hoje a noite, mas estava ansiosa para descobrir.
Caminhei até a cama, coloquei a sacola sobre o lençol e a abri.
O vermelho apareceu sem hesitação, elegante, firme, desenhado para ser lembrado, para ocupar espaço, para exigir presença. Meus dedos tocaram o tecido com cuidado, percorrendo a superfície macia enquanto minha boca secava lentamente e um calor conhecido começava a se espalhar pelo meu corpo.
Fui para o banho levando comigo a consciência de que cada minuto me aproximava dele.
A água quente desceu pelos meus ombros, escorreu pelas minhas costas, na tentativa de aliviar a tensão que se acumulava nos músculos, mas a ansiedade era mais teimosa, alimentada pela expectativa de um olhar que eu conhecia bem demais.
Quando voltei para o quarto, envolta na toalha, parei diante do espelho e respirei fundo antes de vestir o vestido.
— Coragem, Elena, coragem. — repeti como um mantra.
Retirei a toalha deixando-a cair no chão e peguei o vestido, o vestindo. O tecido deslizou pelo meu corpo com facilidade, ajustando minha postura, marcando a cintura, alinhando meus ombros como se soubesse exatamente o que precisava revelar, e minhas mãos permaneceram ali por alguns segundos, alisando as laterais, certificando-se de que eu ainda estava inteira, de que aquilo era real.
Prendi o cabelo em um coque alto, observando no reflexo a linha do pescoço se tornar visível, vulnerável, perigosamente atraente, e prendi o ar, quando percebi o quanto aquele detalhe poderia ser suficiente para desarmá-lo.
A maquiagem veio em seguida, sem excessos, mas carregada da intenção de quem queria ser vista, lembrada, desejada.
Quando levantei os olhos novamente para o espelho, pisquei devagar, quase sem reconhecer a mulher que me encarava de volta.
Eu parecia pronta.
Meu celular vibrou e senti todo o meu corpo estremecer ao ver que era uma mensagem dele.
“Estou chegando.”
O ar pareceu sumir dos meus pulmões. Passei as mãos novamente pelo vestido, fechei os olhos e contei até dez, tentando reassumir o controle.
— Vamos, Elena ele já está chegando.
Peguei a bolsa saindo do quarto, atravessei o corredor do andar superior e parei diante da escada, sentindo o silêncio da mansão me envolver por completo.
Lá embaixo, a sala estava iluminada apenas pelos pontos mais suaves, criando sombras elegantes sobre os móveis, e no centro daquele cenário que sempre pareceu grande demais para mim, ele permanecia de pé, impecável dentro do terno escuro, com uma das mãos repousada no bolso enquanto a outra segurava o celular sem qualquer atenção real.
Ele aguardava por mim.
Meu coração bateu mais forte quando coloquei a primeira ponta do salto no degrau e o som foi o suficiente para chamar a atenção dele, fazendo Damian levantar o rosto e olhar para mim.
Os olhos se fixaram imediatamente, absorvendo a imagem sem pressa, subindo devagar à medida que eu descia, como se cada degrau revelasse um detalhe novo que ele precisava entender antes de continuar respirando direito.



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