“Algumas noites mudam a vida. Mas é o amanhecer que decide se o amor fica.”
Elena Rossi
Havia uma diferença entre amar um homem poderoso e descobrir que ele estava disposto a se ajoelhar diante do seu olhar. Naquela manhã, eu aprenderia exatamente o tamanho dessa diferença.
Eu tive medo de abrir os olhos.
Porque algumas felicidades são frágeis demais para sobreviver à luz do dia e porque se aquilo tivesse sido um sonho, eu preferia continuar dormindo. Mas comecei a prestar atenção nos sinais. O peso de um braço sobre a minha cintura. O calor de um peito firme contra meu rosto. A respiração profunda que roçava meus cabelos.
Ele estava ali, Damian estava ali, então tudo tinha sido real.
E Deus, se era real, eu nunca mais seria a mesma.
Acordei devagar, como se meu corpo tivesse medo de quebrar o encanto.
Estava completamente nua, enrolada nos braços fortes de Damian. Meu rosto descansava no peito dele, uma perna jogada por cima da sua coxa, e o calor da pele dele era a única coberta que eu precisava. Nossos corpos ainda estavam entrelaçados exatamente como havíamos adormecido, suados, satisfeitos, inseparáveis.
Um sorriso largo nasceu dentro de mim antes mesmo de abrir os olhos. Lembrei de tudo: dos beijos que não paravam, das mãos dele me segurando como se eu fosse a coisa mais preciosa do mundo, do teatro, do pedido de namoro, de como eu disse sim sem medo.
E agora, aqui estava eu, vivendo isso.
Meu coração deu um salto doce e assustado ao mesmo tempo. Era tudo tão bonito, tão intenso, tão… meu. Tive medo de abrir os olhos e descobrir que tudo não passava de um sonho lindo demais para ser real. Medo de acordar sozinha, de acordar de volta naquele corredor frio do hospital.
Respirei fundo, sentindo o cheiro dele. O seu perfume misturado com o meu era o bálsamo que eu precisava para abrir os olhos.
Damian dormia profundamente ao meu lado. O rosto relaxado, a boca entreaberta, o queixo quadrado, a barba por fazer. Eu amava essa versão dele, mas vulnerável, mais sereno, mais humano… e absurdamente lindo.
Meus olhos verdes desceram devagar pelo corpo dele, como se tivessem vontade própria. O peito largo subia e descia indicando que ele estava relaxado e em paz. Os músculos do abdômen marcados mesmo em repouso, a linha fina de pelos que descia até…
Parei.
A ereção matinal dele estava ali, completamente dura, descansando contra a barriga. E só de olhar senti uma umidade tomar conta da minha intimidade. Meu corpo inteiro reagiu, meus seios que ainda estavam sensíveis pela noite anterior, reagiram. Senti minha intimidade pulsar e o desejo acordar antes mesmo da razão.
— Deus o que me tornei?
— Então me deixa te ensinar, princesa — disse com a voz grave e doce ao mesmo tempo. — E se em algum momento você quiser parar, é só dizer. Eu vou amar cada segundo, porque é você.
Damian se recostou melhor na cabeceira da cama, abrindo as pernas para me dar espaço, e me puxou gentilmente para perto. Seus dedos continuavam acariciando meus cabelos, sem pressão, só carinho.
Respirei fundo, sentindo o coração bater tão forte que eu tinha certeza de que ele podia ouvir. Inclinei-me devagar e depositei um beijo tímido no seu membro. A pele era quente, sedosa, e pulsava contra meus lábios. Damian soltou um gemido baixo, longo, e eu senti o corpo dele inteiro tremer.
Os dedos dele afundaram nos meus cabelos, não para mandar, mas para sentir.
E o que eu vi nos olhos dele não foi comando.
Foi rendição.
Meu fôlego falhou. Porque naquele instante eu soube: eu podia levá-lo à loucura.
A questão era eu teria coragem de descobrir o quanto?

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