Elena Rossi
Há momentos em que meu corpo fala. E há momentos em que a minha alma decide ficar.
Durante muito tempo eu achei que essas duas coisas viviam em guerra. Que desejar era perigoso demais, que sentir era sempre o primeiro passo para perder. Mas naquela noite, enquanto o destino respirava junto conosco, eu entenderia algo maior.
Naquela noite, eu descobriria que os dois podiam dizer a mesma coisa.
Eu abri os olhos, que nem percebi que havia fechado, e me perdi nos dele. Ele se moveu devagar, penetrando-me com uma lentidão agonizante, centímetro por centímetro, permitindo que eu sentisse cada detalhe. Meu corpo se ajustou a ele, acolhendo-o como se fosse feito para isso, e um gemido escapou dos meus lábios, ecoando no quarto.
Os movimentos começaram lentos, ritmados, como uma dança ancestral. Ele entrava e saía com precisão, nunca desviando os olhos dos meus, como se quisesse gravar cada expressão no meu rosto, cada suspiro.
Um gemido escapou dos meus lábios, involuntário, carregado de surpresa pela intensidade da conexão, e o som se espalhou pelo quarto como se as paredes também precisassem saber o que estava acontecendo ali.
Havia tensão.
O controle dele lutava bravamente contra a vontade de perder o ritmo, de se deixar levar pela pressa do prazer. E o meu… o meu já tinha se ajoelhado, mas continuava sustentando o olhar, porque quebrar aquela conexão seria perder o que tornava tudo sagrado.
Havia uma ironia silenciosa ali: ele, o homem acostumado a comandar impérios, agora rendido ao amor. E eu, que um dia vendi minha liberdade acreditando que era a única maneira de salvar quem amava, finalmente livre.
Livre nos braços dele.
Eu envolvi os braços ao redor do pescoço dele, puxando o corpo grande para mais perto, precisando diminuir qualquer espaço que ainda insistisse em existir. O peso dele sobre mim era real, quente, presente e me dava uma segurança que eu nunca tinha conhecido.
Capturei seus lábios outra vez.
O beijo nasceu urgente, faminto, desesperado por continuidade, enquanto nossos corpos encontravam o mesmo compasso, o mesmo idioma.
Damian gemeu baixo no meu ouvido, o som rouco enviava arrepios pela minha espinha, e então, num movimento seguro, fluido, ele segurou minha cintura e inverteu nossas posições, colocando-me por cima dele com uma facilidade que me fez perder o ar.
Agora eu o montava.
Sentia-o pulsar dentro de mim, profundo, absoluto, ocupando espaços que eu nem sabia que estavam vazios até deixarem de estar. Era mais do que prazer, era preenchimento.
Fechei os olhos por instinto, tentando sobreviver à onda que crescia. Mas Damian intensificou os movimentos.
As mãos dele guiaram meus quadris, ensinaram um ritmo novo, mais rápido, mais exigente, e eu me ouvi gemer alto, sem vergonha, sem defesa. O som saiu como confissão, como entrega pública de algo que já não tinha volta.
Eu sentia que o ápice estava próximo. No arrepio, no calor que se espalhava, no tremor que começava a consumir o meu corpo. Na maneira como meu nome parecia prestes a quebrar dentro da garganta dele.
— Abre os olhos, princesa… — ordenou, com a voz carregada de urgência, enquanto a mão firme segurava meu rosto e o polegar desenhava um carinho que era quase ternura demais para caber naquela intensidade.
Eu obedeci, abrindo os olhos para encontrar os dele, e quando nossos olhares se encontraram, algo explodiu além do corpo. Era como se as cores do mundo se fundissem, como se passado e futuro se dissolvessem, deixando apenas aquele presente absoluto.


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