“Alguns jogos começam com risos. Outros terminam sem fôlego.”
Elena Rossi
Descobri que o homem mais poderoso da cidade também sabia ser absurdamente manhoso.
Mas era impossível pensar em qualquer coisa racional quando o homem ao meu lado decidiu, simplesmente, que levantar da cama era opcional.
— Vamos levantar, senhor Cavallari — eu disse, tentando soar firme enquanto afastava o lençol e deixava a luz invadir o quarto.
Damian soltou um resmungo quase infantil.
A palavra jamais combinaria com um homem daquele tamanho, daquele poder, daquela presença e ainda assim, ali estava ele, virando o rosto contra o travesseiro como se o mundo inteiro pudesse esperar mais cinco minutos.
— Não quero trabalhar hoje — murmurou, com a voz abafada, rouca, deliciosamente preguiçosa.
Eu arregalei os olhos, fingindo choque.
— Como assim não quer trabalhar?
Ele abriu um dos olhos devagar, avaliando-me com aquele olhar que misturava estratégia e provocação.
— Estou doente.
— Está?
— Sim.
— Do que?
Ele virou de lado de uma vez, puxando-me pela cintura antes que eu pudesse reagir, encaixando meu corpo contra o dele novamente.
— De saudade — respondeu, enterrando o rosto no meu pescoço.
Eu gargalhei.
Gargalhei de verdade.
Porque não havia nada mais absurdo e mais adorável, do que um homem como Damian Cavallari sendo manhoso às seis da manhã.
Ele levantou a cabeça, fingindo indignação.
— Você está rindo de mim, senhorita Rossi?
— Estou — admiti, ainda rindo. — Você tem quase um metro e noventa de pura autoridade e está fazendo drama porque não quer sair da cama.
Ele se apoiou sobre um cotovelo, inclinando-se lentamente até que seu rosto ficasse a poucos centímetros do meu.
O sorriso desapareceu, os olhos escureceram. Ele mordeu levemente o próprio lábio inferior, devagar, como quem muda de estratégia.
— Tudo bem… — sussurrou, com a voz baixa, perigosa, cheia de intenção. — Então vamos levantar.
Eu arqueei a sobrancelha.
— Viu só? Não foi tão difícil.
Ele se aproximou ainda mais.
— Mas primeiro…
A pausa foi calculada, deliberada.
O polegar dele deslizou lentamente pela minha clavícula percorrendo o meu ombro e indo ate a alça da minha camisola, me fazendo estremecer.
— O que acha de um banho gostoso?


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