“Alguns homens constroem impérios. Outros constroem promessas. Ele decidiu fazer os dois comigo.
Elena Rossi
A piscina tinha sido impulso.
Já o quarto, tinha sido a escolha.
E foi essa lembrança que me fez acordar corada.
Meus olhos se abriram devagar, mas meu corpo já sabia antes mesmo da consciência alcançar o presente. Havia um calor diferente na minha pele, uma leveza nos músculos, uma languidez doce que só existe quando a noite não termina apenas em desejo, mas em entrega repetida, paciente, profunda.
Eu mordi o lábio, sentindo o rosto esquentar ao lembrar do momento em que ele me carregou escada acima, ainda molhados, rindo baixo contra minha boca enquanto eu tentava fingir alguma dignidade que já tinha se dissolvido na água. Lembrei da forma como me deitou na cama com uma lentidão provocadora, como se tivesse todo o tempo do mundo, como se cada segundo comigo fosse algo a ser degustado.
Não houve pressa no quarto. Houve fome, mas também cuidado. Houve intensidade, mas também promessa.
Damian não apenas me tomou nos braços, ele me segurou como se estivesse reivindicando território e, ao mesmo tempo, oferecendo abrigo. O jeito como suas mãos percorriam meu corpo era firme, possessivo, mas nunca bruto.
Era a posse de quem ama, não de quem domina.
Eu suspirei baixinho ao lembrar do modo como ele dizia meu nome na penumbra, como se cada sílaba fosse uma declaração silenciosa. Lembrei da forma como ele me virou lentamente sob o corpo dele, com os olhos nublados de desejo me observando como se estivesse memorizando cada reação, cada suspiro, cada arrepio.
Ele me fez sentir viva. Não apenas desejada, mas viva. Como se meu corpo tivesse sido acordado por inteiro. Como se minha alma tivesse sido tocada junto.
Eu rolei de lado na cama devagar, ainda sorrindo, ainda sentindo o rubor subir pelo meu rosto ao perceber que as lembranças não vinham com vergonha, vinham com felicidade.
Damian ainda dormia deitado de costas, o lençol baixo na cintura, o peito nu subindo e descendo num ritmo tranquilo que denunciava o quanto estava relaxado. O braço pesado estava estendido na minha direção, como se mesmo dormindo ele tivesse tentado me puxar para mais perto.
Eu fiquei ali, apenas olhando.
O homem que horas antes me segurava com urgência agora parecia quase sereno e jovem demais, como se amar tivesse retirado dele um peso invisível.
E então eu vi.
Mesmo dormindo, os dedos dele estavam levemente fechados sobre o lençol do meu lado da cama. Como se estivesse me segurando. Como se tivesse medo de que eu fosse embora. E foi ali, naquela imagem tão simples, que a lembrança do passado atravessou minha mente como um contraste inevitável.
O mesmo homem. O mesmo Damian Cavallari.
O homem que, meses atrás, havia levantado uma placa em um leilão e, diante de uma sala inteira de olhares curiosos e julgadores, havia me “comprado” com a frieza estratégica de quem adquire uma obra rara.
Eu ainda me lembro da forma como ele sustentou o olhar naquela noite.
Sem sorriso.
Sem explicação.
Sem gentileza.
A postura firme, a voz controlada, a expressão quase indiferente de quem parecia negociar apenas mais um ativo. Naquele instante, eu achei que estava diante de um homem incapaz de sentir qualquer coisa que não fosse poder. Mas o meu coração nunca acreditou completamente naquela versão.
Porque mesmo naquela sala iluminada por lustres frios e olhares afiados, havia algo nos olhos dele que não combinava com a máscara. E quando me senti pequena sob aquele palco, foram os olhos dele que me fizeram me manter firme.
Agora, olhando para ele ali, dormindo com a respiração tranquila e os dedos fechados no meu lado da cama como se eu fosse o bem mais precioso que ele temia perder, eu finalmente entendi.
Ele nunca foi frio, nunca foi sem coração. Ele era um homem que aprendeu a protegê-lo atrás do aço.
Damian sempre tentou parecer inabalável, quase cruel na sua precisão, como se demonstrar qualquer vulnerabilidade fosse um risco estratégico. Mas o mesmo homem que negociava milhões sem alterar o tom de voz era o homem que, horas antes, me segurava com ternura depois de me amar, que escondia o rosto no meu pescoço como se ali encontrasse paz, que agora dormia com a mão fechada como se precisasse da certeza física de que eu continuava ali.
Eu deslizei os dedos lentamente pelo braço dele, sentindo a pele quente sob a minha, e uma emoção silenciosa se espalhou pelo meu peito.
No leilão, ele me escolheu com firmeza.
Na piscina, ele me tomou com intensidade.
No quarto, ele me amou com permanência.
E naquela manhã, ele me segurava com medo de perder.


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