“Alguns homens esperam a ameaça aparecer. Outros reconhecem o perigo antes mesmo que ele tenha nome.
E então… caçam.”
Damian Cavallari
Eu ainda a mantinha nos braços quando o silêncio finalmente se acomodou no quarto, denso e sereno depois da intensidade que havíamos compartilhado, e enquanto a respiração de Elena se tornava lenta e profunda contra o meu peito, eu passei a mão pelos cabelos dela com um cuidado quase reverente, afastando os fios do rosto como se aquele gesto simples fosse uma forma silenciosa de protegê-la do que quer que tivesse atravessado seus pensamentos horas antes.
Ela parecia diferente quando dormia.
Não frágil, porque Elena nunca foi frágil. Mas desarmada.
E aquela vulnerabilidade exposta me atingia em um lugar que poucos homens admitem existir.
Inclinei-me e pressionei um beijo demorado na testa dela, sentindo o calor da pele, a maciez, o cheiro familiar que já fazia parte de mim.
— Eu estou aqui — murmurei contra seus cabelos, mesmo sabendo que ela já havia se entregado ao sono.
Com cuidado para não despertá-la, deslizei para fora da cama, levantando-me devagar e vestindo a calça com movimentos controlados, depois a camisa, enquanto meu olhar permanecia fixo nela como se eu estivesse gravando aquela imagem na memória.
Elena havia se virado de lado.
O lençol cobria parte do corpo nu, mas uma das coxas permanecia exposta, envolvida no meu travesseiro como se ele ocupasse provisoriamente o lugar que era meu, e aquela cena íntima, doméstica, absolutamente nossa, fez um sorriso firme surgir no meu rosto.
Não era um sorriso de desejo era de lar, pertencimento. De um homem que reconhece o que tem e sabe o valor disso.
Passei a mão pelo queixo, respirei fundo e saí do quarto com passos silenciosos, mas com a mente já funcionando em outro ritmo, porque algo havia acontecido e eu não ignoraria isso, não depois de tê-la visto chorar daquela maneira.
Desci as escadas com o corpo relaxado e a cabeça alerta, e antes mesmo de alcançar o último degrau, a voz animada de Sophia ecoou da cozinha, misturada ao tom paciente de Maria, criando aquela atmosfera viva que transformava qualquer preocupação em responsabilidade concreta.
— Não assim, Sophia, corta menorzinho! — Maria dizia, rindo.
— Eu estou ajudando! — Sophia retrucava com indignação infantil.
O som arrancou de mim um sorriso breve, mas o sentimento que veio junto não foi leveza.
Foi decisão.
Era isso que eu estava protegendo.
Na sala, Beatrice estava sentada no sofá, com o celular nas mãos, e a postura aparentemente descontraída, mas o olhar atento demais para alguém que estivesse apenas distraída. Ela ergueu os olhos assim que me aproximei.
— Elena está bem?
A pergunta saiu rápida, direta, sem rodeios.
Eu parei diante dela e sustentei o olhar da minha irmã com a mesma firmeza com que encaro conselhos administrativos e rivais de mercado.
— Aconteceu alguma coisa hoje?
Beatrice hesitou apenas o suficiente para demonstrar que também havia percebido algo fora do lugar, e então colocou o celular sobre a mesa com um gesto que denunciava que aquela conversa exigia atenção total.
— Sinceramente, eu não sei — respondeu ela com honestidade. — Fomos almoçar no Villa D’Oro e eu precisei ir ao banheiro, quando voltei, Elena parecia… diferente.
Meu maxilar se tencionou de forma quase imperceptível.
— Diferente como?
— Assustada — ela respondeu, sustentando meu olhar. — Ela tentou disfarçar, disse que era calor, mas eu conheço a mulher que está dormindo no seu quarto, Damian. Alguma coisa aconteceu enquanto eu estava fora da mesa.
Fiquei em silêncio por alguns segundos, não por dúvida, mas porque estava organizando as peças com a frieza necessária.
— Ela mencionou alguém? Algum nome? Alguma situação específica?
— Não. Ela preferiu o silêncio.
Assenti lentamente, sentindo o peso daquela escolha.
Silêncio, quando parte dela, não era descuido.
Era proteção.
Peguei o celular do bolso com movimentos calmos, mas decididos. Existem homens que se movimentam apenas quando a ameaça é evidente.
Eu não sou um deles.
Olavo atendeu no terceiro toque.
— Damian.
— Preciso que faça um favor.
Do outro lado da linha, um silêncio atento.
— Quero todas as câmeras do Villa D’Oro, no horário do almoço de hoje. Internas, externas, estacionamento, acesso lateral, corredores, tudo o que houver. Quero todos os ângulos possíveis.
Houve uma pausa breve.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário