“Existem mulheres que amam.
Existem mulheres que competem.
E existem aquelas que confundem vingança com destino.
O erro delas é esquecer que alguns homens não repetem o passado.”
Damian Cavallari
O passado nunca b**e à porta com delicadeza. Ele se infiltra quando acredita que ainda tem espaço.
E naquele final de tarde, antes mesmo do telefone tocar, eu já sabia que alguém havia ousado atravessar uma linha que eu não permitiria que fosse cruzada novamente.
O telefone tocou no momento exato em que eu terminava de ajustar o punho da camisa, e não foi o som que me alertou, mas a intuição silenciosa de que aquela ligação encerraria qualquer margem para dúvida.
Atendi sem pressa.
— Cavallari.
Do outro lado da linha, a respiração veio controlada, profissional, mas havia um peso ali que homens acostumados a lidar com informações delicadas aprendem a reconhecer antes mesmo das palavras se organizarem.
— Já revisei todas as imagens do Villa D’Oro, senhor.
Eu permaneci imóvel, com o olhar fixo na cidade além do vidro do escritório, enquanto minha mente já começava a operar com uma frieza quase cirúrgica.
— E?
Houve uma pausa mínima, como se ele estivesse escolhendo a forma correta de dizer o que já estava dito nas imagens.
— A pessoa que se aproximou da sua namorada, foi Valentina Orsini.
O nome não caiu como surpresa, mas como confirmação.
Meus dedos apertaram levemente o telefone, não o suficiente para denunciar descontrole, mas o bastante para que o couro da poltrona sob minha mão registrasse a pressão contida.
Valentina Orsini.
A mulher que se aproximou de mim anos atrás com um sorriso estudado, com perguntas aparentemente inocentes, com aquela inteligência afiada que fingia admiração enquanto calculava fraquezas, e que se envolveu comigo não por amor, mas por estratégia, porque queria atingir meu pai, atingir o legado Cavallari, atingir tudo aquilo que ela julgava responsável pela ruína da própria família.
Ela se aproximou de mim como jornalista. Se envolveu comigo como amante. E tentou destruir minha empresa como vingança. E quando a verdade veio à tona, não foi apenas a traição que ficou. Foi a constatação de que eu havia permitido que alguém se aproximasse demais.
Eu aprendi e depois dela, eu jamais repeti o mesmo erro.
— Ela estava sozinha? — perguntei, mantendo a voz tão estável quanto em uma reunião de acionistas.
— Sim, senhor. A gravação mostra que ela se aproxima da mesa quando a senhora Beatrice se ausenta. Fala com sua namorada por aproximadamente três minutos, depois se afasta. A senhorita demonstra mudança clara de expressão após a interação.
Fechei os olhos por um instante quando a raiva me atingiu em cheio, subindo pelo peito como uma descarga elétrica, rápida e intensa o suficiente para quase doer. Senti o maxilar endurecer sozinho, os dentes se pressionando com força antes mesmo que eu percebesse, e então fiz o que sempre faço: obriguei meus músculos a relaxarem, alisei a expressão, controlei a respiração. Porque homens como eu não perdem o controle, não levantam a voz, não deixam a fúria aparecer.
Homens como eu decidem.
— Envie as imagens para o meu e-mail pessoal — ordenei, com uma calma que só existe quando a guerra já foi declarada internamente. — E quero um levantamento completo das movimentações recentes da Orsini. Contatos, contratos, financiadores, qualquer aproximação com veículos que tenham histórico de ataque corporativo. Quero tudo.
— Sim, senhor.
Antes de desligar, acrescentei, em um tom que não precisava de elevação para carregar ameaça:


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