“Homens impulsivos reagem. Os inteligentes observam. Mas homens que amam… protegem sem que ninguém perceba onde começou a guerra.”
Existem decisões que não exigem alarde. Elas exigem silêncio, cálculo… e a consciência absoluta do que está em jogo.
Quando Alessandro entrou no meu escritório naquele final de tarde, eu já não estava apenas pensando.
Eu estava movendo peças.
A porta do escritório se abriu com a discrição habitual, e Alessandro entrou sem pressa, mas com o olhar atento de quem reconhece imediatamente quando o clima do ambiente não é comum, quando o ar parece mais denso e a postura do homem atrás da mesa não é apenas concentração, mas contenção.
Eu estava de pé, de costas para a porta, observando a cidade através do vidro escuro, com as mãos apoiadas no parapeito com a firmeza controlada de quem já tomou uma decisão, mas ainda está organizando a forma como ela será executada.
— Laura disse que era urgente — Alessandro comentou, fechando a porta atrás de si.
Eu não me virei de imediato. Respirei fundo uma vez, apenas uma, antes de falar.
— Olavo confirmou quem se aproximou de Elena no Villa D’Oro.
O silêncio que se seguiu foi curto, mas pesado.
— Quem? — ele perguntou, já se movendo um passo à frente.
Eu virei lentamente, sustentando o olhar dele com a mesma serenidade que uso quando anuncio uma aquisição milionária.
— Valentina Orsini.
O nome pairou no espaço entre nós como uma peça deslocada no centro do tabuleiro. Alessandro ficou visivelmente surpreso.
— Valentina? — repetiu, como se precisasse ouvir outra vez para confirmar que não era um equívoco. — Você tem certeza?
— As câmeras confirmaram. Foi ela quem se aproximou da mesa de Elena quando Beatrice estava no banheiro.
O maxilar dele se contraiu levemente.
— O que ela quer agora?
Essa era a pergunta óbvia. Mas não a mais importante.
Caminhei devagar até a mesa, ajustando os punhos da camisa com um movimento automático que sempre antecede decisões estratégicas, não por vaidade, mas por método, porque organização externa ajuda a manter a mente afiada.
— Essa não é a questão central — respondi, apoiando as mãos na superfície de madeira com calma absoluta.
Alessandro me observava com atenção redobrada.
— E qual é?
Ergui o olhar para ele, deixando que a firmeza falasse antes das palavras.
— A questão é por que ela achou que poderia se aproximar de Elena.
Alessandro passou a mão pelo queixo, pensativo.
— Você acha que foi provocação?
Inclinei levemente a cabeça.
— Valentina nunca faz nada sem finalidade. Ela não se move por impulso. Se falou com Elena, foi porque queria produzir algum tipo de efeito.
A lembrança de Elena chorando no banheiro doeu. De como ela parecia assustada, insegura, temerosa.
Meu peito se contraiu com aquele impulso silencioso de proteger a paz da mulher que ama, de se colocar entre ela e qualquer ameaça, mesmo que essa ameaça ainda seja apenas uma possibilidade.
Alessandro respirou fundo.
— O que você vai fazer?
Eu permaneci em silêncio por alguns segundos, o olhar fixo na borda da mesa, como se estivesse observando um tabuleiro invisível disposto ali.
Quando finalmente falei, minha voz saiu baixa, perfeitamente controlada, mas carregada de intenção.
— Eu não jogo partidas emocionais.
Ergui o olhar para ele.
— Eu jogo xadrez.
Alessandro sustentou meu olhar, atento.
— E no xadrez — continuei, caminhando lentamente até a lateral do escritório — você não ataca a rainha no primeiro movimento. Você observa quem está movendo as peças, entende o padrão, identifica a intenção… e só então decide qual peça será sacrificada.
Ele cruzou os braços.
— Então você não vai confrontá-la?
Um leve sorriso tocou meus lábios.
— Eu não preciso confrontá-la.
Aproximei-me da janela novamente, com as mãos nos bolsos, e a postura relaxada demais para quem está prestes a iniciar uma guerra silenciosa.
— Valentina acredita que ainda sabe como eu penso. Acredita que conhece minhas reações. Acredita que pode provocar ciúme, insegurança ou dúvida.
Minha voz ficou ligeiramente mais fria.
— Ela está lidando com uma versão antiga de mim.
Alessandro permaneceu em silêncio, absorvendo cada palavra.
— Eu não vou destruí-la com as minhas próprias mãos — declarei com clareza. — Isso seria barulhento. E desnecessário.
Virei-me devagar, encarando-o de frente.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário