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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 180

“O verdadeiro poder não está na guerra que se vence. Está na casa para a qual se escolhe voltar.”

Damian Cavallari

Eu já enfrentei conselhos inteiros sem piscar.

Mas nada me desmonta mais do que ver Elena amarrando o cabelo depois de um banho quente.

O vapor do banho ainda parecia pairar sobre nós quando saímos do banheiro, como se a água quente tivesse deixado no ar um resquício do que havíamos acabado de compartilhar, e eu não consegui evitar que meus olhos a acompanhassem enquanto ela caminhava até o closet para se vestir.

Elena escolheu uma camisola de seda marfim que deslizava pelo corpo com uma delicadeza quase cruel, moldando-se às curvas sem esforço, revelando mais pelo contorno do que pela transparência, e depois amarrou o robe na cintura com um gesto aparentemente despretensioso, mas firme o suficiente para marcar a silhueta que eu conhecia de cor.

Quando ela ergueu os braços para prender os cabelos ruivos no alto da cabeça, formando um coque desalinhado que deixava a nuca exposta e alguns fios escapando sobre a pele ainda úmida, eu senti algo arder sob minha pele com uma intensidade que não tinha nada a ver com o calor do banho.

Eu vesti apenas uma calça de moletom, sem camisa, sem qualquer intenção de esconder o que ainda vibrava sob minha pele, e permaneci encostado na porta por alguns segundos, observando cada movimento dela como se estivesse assistindo a algo que me pertencesse de um modo profundo e silencioso.

— Estou morrendo de fome — declarei, passando a mão pelos cabelos ainda molhados, tentando parecer casual, embora meu olhar denunciasse exatamente o contrário.

Ela virou o rosto na minha direção com aquele sorriso que começava discreto no canto da boca e se espalhava lentamente pelos olhos, verdes e atentos.

— Ótimo — respondeu, sustentando meu olhar por um segundo a mais do que o necessário. — Porque eu dispensei Maria e os empregados hoje.

Eu arqueei a sobrancelha, aproximando-me alguns passos, curioso e já antecipando algo.

— Dispensou?

Ela assentiu, e o brilho de satisfação que surgiu no olhar dela foi quase infantil.

— Eu quis cozinhar para você.

Algo dentro de mim se expandiu naquele instante, um orgulho silencioso misturado com uma ternura que eu raramente permitia que alguém visse. Eu me aproximei até sentir o calor do corpo dela através da seda e envolvi sua cintura por trás, puxando-a contra mim com um movimento lento, possessivo e, ao mesmo tempo, cuidadoso.

— Eu vou amar a sua comida — murmurei contra o cabelo preso, sentindo o cheiro leve do shampoo misturado ao perfume dela.

Ela fez um bico exagerado, inclinando o rosto para trás para me encarar.

— Você não gostou dos meus biscoitos.

Eu não consegui conter a gargalhada que escapou do meu peito, baixa e cheia, enquanto apertava ainda mais sua cintura.

— Eu menti — confessei, inclinando-me até que meus lábios quase tocassem sua orelha. — Depois que você saiu do quarto, eu comi todos.

Os olhos dela se arregalaram em indignação teatral.

— Damian! Seu mentiroso!

Dessa vez fui eu quem fez um bico, exagerando a expressão como se estivesse ofendido.

— Eu precisava manter minha reputação intacta.

Ela riu, e aquele riso leve, despreocupado, foi suficiente para fazer o resto do mundo perder importância.

Descemos as escadas abraçados, parando no meio do caminho para um beijo demorado que começou suave e terminou com minha mão deslizando inevitavelmente pela curva da cintura dela, enquanto ela segurava a minha nuca com uma naturalidade que dizia mais do que qualquer palavra.

Na cozinha, sentei no banco alto da ilha central e a observei caminhar até os armários com passos tranquilos, completamente à vontade naquele espaço que, naquele momento, parecia mais íntimo do que qualquer quarto.

Quando finalmente ela terminou, o cheiro da macarronada tomou conta da cozinha, misturando-se ao aroma do vinho e criando uma sensação estranhamente acolhedora.

Nos sentamos na mesa. Eu dei a primeira garfada e, sem perceber, diminuí o ritmo, mastigando devagar enquanto a observava me encarar com expectativa.

— Elena… — comecei, deixando-a tensa por um segundo.

Ela travou e me encarou temerosa.

— Está ruim?

Eu balancei a cabeça lentamente, deixando que um sorriso surgisse antes de responder.

— Está perfeito.

Continuei comendo com uma fome que ia além do físico, e ela me observava com os olhos brilhando, apoiando o queixo na mão, orgulhosa, satisfeita, como se cada garfada minha fosse uma confirmação de que havia acertado.

Quando terminamos, puxei-a pela mão com um gesto firme e a sentei no meu colo sem lhe dar tempo de protestar.

Ela soltou um suspiro surpreso, mas não resistiu. Inclinei-me até seu ouvido, sentindo o calor da pele dela e o perfume suave que ainda permanecia.

— Agora eu quero minha sobremesa — murmurei, com a voz baixa e carregada de intenção.

— Damian… — ela tentou soar repreensiva, mas o sorriso escapou antes que conseguisse manter a compostura.

Os dedos dela deslizaram pela minha nuca, e naquele instante, com a cozinha ainda iluminada, o vinho sobre a mesa e o cheiro do jantar pairando no ar, eu tive a certeza silenciosa de que poderia enfrentar qualquer guerra lá fora, porque aqui, naquele espaço entre o riso dela e o meu olhar faminto, era onde eu realmente queria ficar.

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