“O casamento começa antes do altar. Geralmente começa com uma toalha no lugar errado.”
Alessandro enfrentou juízes implacáveis, clientes agressivos e processos milionários.
Mas nada o preparou para a autoridade doméstica de Beatrice.
Os dias que se seguiram ao pedido de casamento não vieram com solenidade formal nem com anúncios pomposos, mas com um tipo de transformação muito mais profundo e silencioso, aquele que se instala nos hábitos, reorganiza espaços e, quando você percebe, já mudou o cenário inteiro da sua vida sem precisar pedir autorização.
Beatrice não fez um comunicado oficial de que estava se mudando para o apartamento de Alessandro.
Ela simplesmente começou a ficar.
Primeiro, uma mala estrategicamente deixada ao lado da cama, como quem ainda mantém a possibilidade de recuo.
Depois, uma segunda mala, dessa vez aberta no closet.
Em seguida, caixas menores com livros, pastas, catálogos do museu e objetos pessoais que não pertenciam a lugar algum além daquele novo espaço que começava, discretamente, a se tornar lar.
Alessandro percebeu a mudança antes mesmo de admitir em voz alta.
Ele estava na cozinha, preparando café com aquela concentração quase jurídica que aplicava até nas tarefas mais simples, quando notou que a bancada, antes minimalista e funcional, agora abrigava um vaso de flores brancas perfeitamente alinhado com a luz da janela.
— Isso aqui era simétrico — comentou, apoiando a mão no balcão e inclinando levemente a cabeça, como se estivesse analisando uma prova em tribunal.
Beatrice ergueu os olhos do tablet e arqueou uma sobrancelha com elegância tranquila.
— Não era simétrico. Era vazio.
O canto da boca dele tremeu, porque sabia que ela tinha razão. Ele se aproximou devagar, envolvendo a cintura dela por trás, e a forma como a mão dele deslizou até repousar na curva do quadril dela era ao mesmo tempo casual e possessiva, como se estivesse testando a estabilidade daquela nova realidade.
— Eu gosto quando você ocupa meus espaços — murmurou, com a voz mais baixa do que o habitual, roçando os lábios na lateral do rosto dela.
Beatrice virou o corpo lentamente, apoiando as mãos no peito dele, o encarando divertida.
— Alessandro…
— Inclusive o meu quarto.
Ela olhou diretamente para ele e sustentou o olhar por um tempo suficiente para deixar claro que já tinha pensado na resposta e que não havia espaço para negociação. Antes mesmo de abrir a boca, um pequeno sorriso apareceu no canto dos lábios, contido, quase refinado, mas com a expressão inconfundível de quem já decidiu o que vai dizer e sabe perfeitamente que a resposta não será do agrado dele.
— Você perdeu esse privilégio ontem.
Ele piscou, genuinamente confuso.
— Por causa da toalha?
— Por causa da toalha molhada em cima da cama, Alessandro.
— Foi um descuido técnico.
— Foi um atentado à ordem doméstica. Você é um homem culto, um advogado brilhante fazendo algo tão…
— Masculino?


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