“O amor pode ser público. O respeito precisa ser conquistado.”
O problema nunca foi a beleza de Elena.
Foi o fato de Damian não esconder que ela era sua.
O salão ainda vibrava em elogios discretos quando Damian deslizou a mão pela cintura de Elena e a trouxe para mais perto, como se o gesto fosse instintivo, natural demais para ser questionado.
Ele inclinou-se, aproximando os lábios do ouvido dela.
— Você está absurdamente linda esta noite — murmurou, a voz grave carregada de um calor que contrastava com a compostura impecável que mantinha diante de todos.
Elena sentiu o arrepio percorrer a espinha ao mesmo tempo em que percebeu os olhares masculinos que demoravam mais do que deveriam em suas costas nuas.
Damian acompanhou a direção de alguns desses olhares e sorriu de lado.
— E estou começando a me arrepender de ter dividido essa visão com o mundo — completou, a respiração roçando a pele dela. — Estou morrendo de ciúmes.
Ele depositou um beijo lento e delicado no ombro nu dela, exatamente onde o laço do vestido sustentava o tecido verde-esmeralda, e o gesto foi sutil o suficiente para não soar exibicionista, mas íntimo o bastante para ser inequívoco.
Elena corou imediatamente, mordendo o lábio inferior antes de sorrir.
— Ciúmes não combinam com a sua reputação, senhor Cavallari.
Ele deslizou a mão um pouco mais firme pela cintura dela, aproximando os corpos com naturalidade.
— Minha reputação pode esperar. — Fez uma pausa mínima, os olhos descendo lentamente pelo contorno do vestido. — Estou louco para chegar em casa, tirar esse vestido de você e lembrar que essa visão é exclusivamente minha.
O rubor que subiu pelo rosto de Elena foi impossível de conter. Ela mordeu os lábios outra vez, tentando manter a compostura.
— Damian…
Ele apenas sorriu, satisfeito com o efeito que provocava.
Antes que pudesse continuar, Beatrice surgiu ao lado deles com um brilho animado nos olhos.
— Com licença, presidente — disse ela, teatralmente formal. — Preciso roubar sua namorada por alguns minutos.
Damian ergueu uma sobrancelha, encarando a irmã com fingida relutância.
— Só porque a noite é sua — respondeu, soltando Elena devagar, mas não antes de roçar discretamente os dedos pela lateral da cintura dela como uma promessa silenciosa.
Beatrice entrelaçou o braço no de Elena.
— Venha, preciso apresentá-la às minhas amigas que vieram de Paris só para o evento.
Damian observou as duas se afastarem por um segundo a mais do que o necessário, e então ajustou o paletó antes de caminhar na direção de Alessandro e de um grupo de curadores internacionais que discutiam uma possível parceria.
Do outro lado do salão
— Meninas, esta é Elena — anunciou Beatrice com orgulho evidente. — A mulher responsável por deixar meu irmão absolutamente insuportável de tão feliz.
As risadas foram imediatas.
Três mulheres elegantemente vestidas a cumprimentaram com entusiasmo genuíno, elogiando o vestido, o porte, a delicadeza.
— Ele não tira os olhos de você — comentou uma delas em francês, sorrindo.
— E entendemos perfeitamente por quê — acrescentou outra.
Elena agradeceu com naturalidade, mantendo a postura serena que não se confundia com submissão.
No entanto, havia uma quarta mulher no grupo.
Ela não sorriu.
Não elogiou.

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