“Homens poderosos dominam impérios. Mas às vezes basta uma mulher entrar na sala… para que eles esqueçam completamente o controle.”
Damian Cavallari raramente sorria dentro daquele escritório.
Naquele lugar eram tomadas decisões que moviam milhões, encerravam negociações e derrubavam concorrentes.
Mas bastou a porta se abrir para que o homem mais temido da sala esquecesse completamente o motivo de estar ali.
O carro de Beatrice deslizou pela avenida larga do centro financeiro com a elegância silenciosa que parecia acompanhar tudo que envolvia o mundo Cavallari. Prédios de vidro se erguiam em torno delas como espelhos gigantes refletindo o céu claro da tarde, e Elena observava pela janela com aquela expressão serena que sempre aparecia quando ela entrava naquele universo que, há não muito tempo, parecia completamente distante da sua realidade.
Beatrice estacionou no subsolo do prédio da Cavallari Holdings com a mesma naturalidade de quem cresceu entrando e saindo dali.
— Pronto — disse, desligando o carro. — Território do meu irmão.
Elena soltou uma pequena risada nervosa enquanto pegava a bolsa.
— Você fala como se fosse território de guerra.
Beatrice abriu a porta.
— Às vezes é.
Elena saiu do carro logo atrás dela, alisando discretamente a saia do vestido como se estivesse tentando recuperar alguma compostura antes de entrar. Não era a primeira vez que visitava o prédio de Damian, mas havia algo diferente naquele momento, talvez o fato de estar ali sem aviso, talvez o comentário provocador de Beatrice ainda ecoando na cabeça dela, ou talvez a simples expectativa de vê-lo.
Elas atravessaram o lobby amplo e elegante do prédio, onde o mármore claro refletia a luz natural que entrava pelas paredes de vidro. Alguns funcionários reconheceram Beatrice imediatamente e cumprimentaram as duas com respeito.
Quando entraram no elevador privativo, Elena soltou um pequeno suspiro.
Beatrice lançou um olhar divertido para ela.
— Lena, você parece uma adolescente indo encontrar o namorado escondido.
— Eu…
— Está nervosa. — interrompeu Beatrice.
Elena não respondeu, porque de fato, estava.
O elevador abriu diretamente no andar da presidência e assim que saíram, Clara ergueu os olhos da mesa da recepção.
— Senhorita Cavallari.
— Apenas Beatrice, Clara.
Beatrice se aproximou com um sorriso animado, claramente empolgada demais para manter qualquer tipo de formalidade discreta. Segurou levemente o braço de Elena e a puxou um passo à frente, como se estivesse apresentando algo muito precioso.
— Clara, você já conhece a minha cunhada? — disse, com um brilho orgulhoso nos olhos.
Elena imediatamente corou com o comentário, abaixando um pouco o olhar, claramente sem saber onde colocar as mãos diante da naturalidade com que Beatrice a apresentava daquela forma.
Clara sorriu, divertindo-se com a reação tímida dela.
Beatrice continuou, ainda mais animada:
— Essa é Elena Rossi… a mulher que conquistou o coração do meu irmão.
Elena ficou ainda mais vermelha.
Clara deu um pequeno passo à frente, mantendo aquele sorriso cordial e elegante que sempre carregava.
— Senhorita Rossi, é um prazer conhecê-la.
Elena soltou um pequeno suspiro de surpresa quando ele a puxou para mais perto.
— Veio me visitar… — murmurou enquanto depositava um beijo no pescoço dela, mas ela mal teve tempo de responder, porque Damian a beijou sem qualquer pudor, sem se importar com a presença da irmã e do cunhado.
O beijo foi firme, profundo e possessivo, como se ele estivesse reivindicando aquele momento diante de qualquer testemunha.
Beatrice sorriu imediatamente ao ver a cena e Alessandro se levantou calmamente da cadeira e envolveu a cintura de Beatrice com um braço.
--- Acho melhor deixarmos os dois sozinhos… — murmurou Alessandro.
Beatrice lançou um último olhar para trás. E a cena fez seu sorriso crescer imediatamente.
Damian ainda segurava Elena pela cintura, o corpo inclinado sobre o dela enquanto o beijo continuava lento, intenso e completamente esquecido de qualquer formalidade. Era como se aquela sala de reuniões, aquele império, aquele mundo inteiro… não tivesse mais importância nenhuma.
Beatrice soltou uma pequena risada satisfeita.
— Finalmente… — murmurou baixinho para Alessandro.
— O quê? — perguntou ele.
Ela continuou caminhando, claramente feliz com o que tinha acabado de ver.
— Meu irmão parou de fingir que consegue controlar tudo.
Alessandro arqueou uma sobrancelha e Beatrice apenas sorriu, satisfeita.
— Especialmente quando se trata dela.
Então puxou a porta com cuidado fazendo o clique suave da fechadura ecoar pelo corredor. E dentro daquela sala, pela primeira vez naquele dia, Damian Cavallari já não parecia nem um pouco interessado em se comportar como CEO.

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