“Algumas mudanças não chegam fazendo barulho. Elas crescem em silêncio… até se tornarem impossíveis de ignorar.”
Dois meses se passaram desde o evento beneficente no museu, e embora o calendário marcasse apenas sessenta dias, a sensação era de que um ciclo inteiro havia florescido diante deles, como se a vida tivesse decidido recompensá-los com um período de leveza que nenhum dos dois ousava nomear em voz alta, mas que ambos reconheciam nos pequenos gestos cotidianos.
A repercussão do evento ainda ecoava nos jornais e nas redes sociais, mas o verdadeiro impacto se materializou alguns dias depois, quando Beatrice recebeu uma ligação internacional que a fez permanecer imóvel no meio do escritório, com o telefone encostado ao ouvido e os olhos arregalados, como se tivesse escutado algo grande demais para caber no próprio peito.
A proposta vinha do Museu do Louvre.
Uma parceria formal.
Intercâmbio cultural. Exposições compartilhadas. Reconhecimento institucional internacional.
Beatrice releu o e-mail inúmeras vezes naquela tarde, passando os dedos pela tela como se quisesse confirmar que as palavras continuavam ali, reais, enquanto os lábios tremiam levemente e o coração batia acelerado de uma forma quase adolescente.
Alessandro a encontrou assim, parada no meio da sala, respirando de maneira irregular, com os olhos marejados e um sorriso incrédulo se desenhando lentamente em seu rosto.
— Bia… — ele perguntou com a voz mais baixa do que o habitual, aproximando-se com cuidado ao notar a expressão dela — o que aconteceu?
Ela não respondeu de imediato, apenas virou a tela do celular na direção dele, mordendo o lábio inferior enquanto observava o momento exato em que ele compreendia.
Os olhos de Alessandro se abriram, a sobrancelha se ergueu num gesto de surpresa genuína, antes que um sorriso orgulhoso, quente e profundo se espalhasse por seu rosto.
— Eu sabia — murmurou, envolvendo-a em um abraço firme que a fez rir entre lágrimas. — Eu sempre soube que o mundo ficaria pequeno demais para você.
Entre reuniões virtuais, contratos preliminares e ajustes diplomáticos, outro projeto crescia em silêncio.
O casamento.
Beatrice e Alessandro haviam decidido que seria no começo do próximo ano, numa cerimônia íntima, cercada apenas de amigos próximos e familiares, longe de holofotes excessivos e interesses políticos, apenas cercada de afeto real.
Beatrice imaginava Sophia correndo pelo corredor com flores nas mãos, Damian tentando manter a compostura enquanto disfarçava a emoção, e Elena sorrindo daquele jeito doce que misturava alegria e esperança.
Sophia, por sua vez, vivia a própria fase luminosa.
Cada dia parecia trazer uma nova aventura ao lado das inseparáveis amigas, Aurora e Bia. As três compartilhavam risadas no intervalo das aulas, confidências sussurradas durante madrugadas de mensagens trocadas escondidas dos adultos, e planos grandiosos para um futuro que ainda parecia distante demais para assustá-las.
O que Sophia ainda não sabia, e que Beatrice guardava com uma ansiedade quase infantil, era que, no final do ano, as três embarcariam numa viagem cuidadosamente planejada para o Disneyland Park, uma surpresa que já estava sendo arquitetada em detalhes minuciosos, com ingressos reservados e hotéis escolhidos com carinho.
Sempre que imaginava o momento da revelação, Beatrice sentia o peito aquecer e o sorriso escapar involuntariamente.
Enquanto isso, Damian e Elena pareciam atravessar uma fase em que o amor deixara de ser discreto para se tornar inevitavelmente visível.

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