“O amor muda uma vida. Mas a promessa de um filho muda o destino.”
Elena Rossi
Algumas descobertas não explodem como tempestades. Elas chegam devagar… silenciosas e quando percebemos, já mudaram tudo.
Eu não lembro exatamente como foi o caminho de volta para casa.
Se alguém me perguntasse qual rua percorremos, quantos sinais fechados encontramos ou quanto tempo o carro levou até atravessar os portões da mansão, eu provavelmente não saberia responder.
A cidade passou diante da janela como um cenário distante, quase borrado, como se o mundo lá fora tivesse perdido um pouco da nitidez enquanto tudo dentro de mim ganhava um peso novo.
Só me lembro da sensação no peito. Uma sensação estranha, delicada e avassaladora ao mesmo tempo, como se o meu coração estivesse tentando aprender um ritmo diferente dentro do próprio corpo.
Um ritmo que não era mais apenas meu.
Quando o carro finalmente desacelerou diante da entrada da mansão, eu continuei sentada por alguns segundos, olhando para a fachada imponente da casa. As paredes claras refletiam a luz suave da tarde, e as janelas altas pareciam observar silenciosamente quem chegava.
Aquela casa que, há não muito tempo, parecia pertencer a um mundo completamente distante do meu… agora era o lugar para onde eu voltava. E, pela primeira vez desde que saí do café com Beatrice, a realidade daquilo tudo começou a me alcançar com mais força.
Minha mão deslizou lentamente até o meu ventre. O gesto foi instintivo, quase involuntário.
Os dedos pousaram sobre o tecido do vestido com cuidado, como se eu tivesse medo de pressionar demais, medo de perturbar algo invisível e frágil.
Aqui dentro, crescia uma vida. Um pedacinho meu e de Damian, fruto do nosso amor.
Ainda era cedo demais para certezas absolutas. Ainda havia exames a fazer, conversas a ter, confirmações médicas a ouvir. Mas o pequeno teste guardado dentro da minha bolsa parecia pesar mais do que qualquer objeto deveria pesar. Como se carregasse dentro dele uma possibilidade grande demais para caber em algo tão pequeno.
Respirei fundo.
O ar entrou devagar nos meus pulmões, mas saiu trêmulo. Então finalmente abri a porta do carro, agradeci ao motorista e desci.
Assim que atravessei o hall de entrada da mansão, um cheiro doce e familiar me envolveu imediatamente. Era o aroma de manteiga derretida misturada com baunilha e açúcar, aquele tipo de cheiro que parecia se espalhar pela casa inteira e transformar qualquer ambiente em algo acolhedor.
Meu coração apertou suavemente.
— Senhorita Elena?
Assim que Maria me viu, o rosto dela se iluminou com aquele carinho que sempre parecia me envolver como um abraço silencioso.
— Eu mandei fazer uma fornada de biscoitos para a senhorita — disse, se aproximando. — A Margareth me contou que a senhorita não conseguiu comer nada no café da manhã e eu fiquei preocupada.
Meu coração apertou.
Foi um aperto suave, mas profundo. Aquele tipo de aperto que nasce quando alguém demonstra cuidado de uma forma tão simples que desarma qualquer tentativa de manter o controle das emoções.
Meus olhos começaram a arder antes mesmo que eu percebesse.
— Maria… — murmurei, tentando sorrir.
Ela franziu levemente a testa.

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