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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 21

Damian Cavalari

Acordei antes do amanhecer.

Não porque quis, ou porque o corpo pediu. Mas porque algo me arrancou do sono como um puxão invisível, um choque quente, incômodo, real demais para ser ignorado.

Sentei na cama com a respiração pesada.

A cabine ainda estava mergulhada na penumbra perfeita do iate: silenciosa, organizada, sem ruídos, sem falhas, sem interferências. Exatamente como tudo na minha vida sempre deveria estar.

Diferente de mim.

Havia uma inquietação no centro do meu peito que eu não reconhecia. Não era tensão de negócios, a pressão de decisões, não era cansaço físico. Era outra coisa, ou melhor, outra pessoa.

Passei a mão pelos cabelos, irritado com a própria reação. O corpo parecia ter despertado de um contato que não existiu ali, mas no quarto ao lado. Uma sensação que não fazia sentido. Um impulso errado, um erro.

Como um homem como eu, treinado para dominar, controlar, antecipar estava permitindo que uma garota comum causasse esse tipo de reação?

A resposta veio rápida demais: Elena não era comum.

Não foi pelo corpo. Eu já tive corpos mais perigosos. Nem apenas pela beleza. Não vou negar que Elena tem uma beleza estonteante. Que o contraste entre a pureza de seus olhos e seu corpo avassalador mexeram comigo assim que ela subiu naquele palco. Mas foram aqueles malditos olhos.

Verdes e corajosos demais para quem estava acuada. A maneira como ela subiu naquele palco, o modo como enfrentou os olhares sem abaixar a cabeça, mesmo tremendo por dentro.

Aquilo não era sedução. Era desafio, medo, resistência.

E foi por isso que eu a quis.

Não por desejo, mas por necessidade de provar, para mim mesmo, que ninguém ama sem interesse. Que ninguém se entrega sem querer algo em troca. Que o amor é apenas uma palavra bonita para justificar a ambição.

Então eu a comprei.

Sem rodeios. Sem disfarce. Sem teatro.

Comprei o tempo dela, o corpo, a obediência, a inocência, as escolhas… comprei por seis meses.

Comprei como se compra algo valioso para usar e descartar quando perde a utilidade. Era assim que eu sempre fazia, então por que essa garota estava me tirando do eixo?

Levantei num movimento brusco.

Caminhei até o banheiro, liguei a água fria e joguei no rosto como se tentasse arrancar de mim aquela sensação incômoda que não cedia. A água escorria, e o reflexo me devolvia um homem intacto. Mas algo em mim estava irremediavelmente rachado.

Respirei fundo.

— Controle, Damian. — disse para o espelho.

Mas o espelho não respondeu, quem respondeu foi a memória.

Lembrei do meu passado. De quando tudo em minha vida começou a ruir. Lembrei do meu pai. O poderoso Enzo Cavallari.

O nome atravessou por dentro como um corte limpo, sem sangue visível, mas profundo.

Eu já odiava meu pai muito antes de o mundo aprender a pronunciar nosso sobrenome com nojo. O desprezo não nasceu do escândalo. Ele foi sendo lapidado em silêncio, ano após ano, a cada mentira dita com voz mansa, a cada acordo selado com mãos sujas, a cada decisão que comprava poder ao preço da dignidade alheia.

Quando as primeiras fissuras da verdade começaram a se abrir, eu não me choquei. Eu me preparei.

Capítulo 21 - Quando o Medo Vira Domínio 1

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