“Alguns segredos não se escondem por medo… mas porque ainda estão aprendendo a crescer em silêncio.”
Elena adormeceu sem perceber exatamente em que momento o sono a venceu.
O dia havia sido longo, intenso, carregado de emoções novas e pensamentos que pareciam grandes demais para caber dentro dela. Cada momento daquele dia parecia ter deixado uma marca diferente em seu coração. A conversa com Beatrice, a descoberta silenciosa, o peso daquela possibilidade crescendo dentro do peito… tudo ainda estava ali, pulsando dentro dela como uma nova batida que seu coração ainda estava aprendendo a reconhecer.
Em algum momento, entre se deitar e acariciar distraidamente o ventre por baixo do tecido macio do robe, o cansaço finalmente falou mais alto. Seus dedos haviam deslizado ali com uma ternura quase inconsciente, como se o gesto já fizesse parte dela, como se seu corpo estivesse começando a entender algo que sua mente ainda processava devagar.
O silêncio da noite envolveu o quarto como um abraço tranquilo e Elena simplesmente se deixou levar. Quando a porta do quarto se abriu horas depois, Elena já estava profundamente adormecida.
Damian entrou em silêncio.
Com o passar do tempo, ele havia aprendido a caminhar pela casa com uma descrição quase instintiva, principalmente quando sabia que Sophia ou Elena já estavam dormindo. Seus passos eram firmes, porém suaves, e o movimento do corpo parecia naturalmente adaptado à quietude daquele lugar que, apesar de imenso, sempre parecia mais acolhedor quando elas duas estavam ali.
A gravata já não estava mais no lugar, os primeiros botões da camisa estavam abertos e o peso do dia de trabalho ainda podia ser percebido na maneira como ele passou a mão pelos cabelos ao entrar no quarto. Os ombros carregavam o cansaço de reuniões, decisões e responsabilidades que poucos homens suportariam com tanta naturalidade.
Mas assim que seus olhos pousaram sobre a cama, o cansaço pareceu desaparecer.
Porque Elena estava ali. Dormindo no lado esquerdo da cama, parcialmente coberta pelo lençol claro, com os cabelos espalhados pelo travesseiro e o rosto sereno iluminado pela luz suave do abajur.
Damian parou por um instante e um pequeno sorriso surgiu no canto de seus lábios.
Aquela visão sempre tinha um efeito estranho sobre ele. Como se todo o resto do mundo, as reuniões, negócios, contratos e problemas simplesmente deixassem de existir por alguns segundos.
Era como atravessar uma porta invisível entre dois mundos.
O homem que comandava empresas, negociava milhões e enfrentava rivais implacáveis… desaparecia. E no lugar dele surgia o homem que amava aquela mulher.
Ele caminhou devagar até a cama.
Observou o movimento tranquilo da respiração dela, o subir e descer suave do peito, a maneira como os dedos dela repousavam relaxados sobre o lençol. Então se inclinou um pouco e afastou com cuidado uma mecha de cabelo do rosto de Elena, tomando cuidado para não acordá-la.
Seus dedos tocaram a pele dela com uma delicadeza quase reverente.
— Boa noite, princesa… — murmurou com a voz baixa.
Depois se endireitou e seguiu para o banheiro.
Alguns minutos depois, o som do chuveiro preencheu o ambiente com o ruído constante da água quente. O vapor começou a escapar pela porta entreaberta e o quarto lentamente se encheu daquele cheiro fresco de sabonete e água quente.
Quando Damian saiu, o vapor ainda pairava no ar.
Ele vestia apenas uma calça de moletom escura, e seus cabelos ainda estavam levemente úmidos, algumas gotas de água ainda escorriam pela linha do pescoço largo.
Apagou a luz do banheiro e voltou para o quarto onde Elena continuava dormindo, ou pelo menos parecia dormir.
Damian levantou o lençol com cuidado e se deitou ao lado dela, fazendo o colchão afundar levemente sob o peso do seu corpo. O movimento foi lento, quase instintivo, como se seu corpo já soubesse exatamente onde encontrar o dela.
Instintivamente, seu braço deslizou pela cintura de Elena e seus braços fortes envolveram o corpo pequeno com um gesto protetor.
Ele a puxou um pouco mais para perto.
E então, quase sem perceber, inclinou o rosto até a curvatura do pescoço dela, fechando os olhos por um segundo e expirando lentamente aquele cheiro que para ele era mais reconfortante do que qualquer outra coisa no mundo.
O perfume dela.
E foi nesse momento que Elena sorriu. Os olhos dela ainda estavam fechados, mas o corpo reagiu imediatamente ao toque dele.
— Você chegou… — murmurou, com a voz sonolenta.
Damian soltou uma pequena risada baixa contra a pele dela, o ar quente do riso roçando de leve o pescoço delicado.
— Achei que estivesse dormindo.
— Estava…

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