"Amar alguém não significa apenas desejar que ele fique. Significa também descobrir o quanto você teme perdê-lo."
Elena Rossi
Quando saí correndo daquele salão, a última coisa que vi antes de entrar no táxi foi o rosto de Damian no meio da multidão.
Ele ainda não tinha me visto.
E, por um instante dolorosamente curto, eu pensei em voltar.
A cidade passava borrada do lado de fora da janela do táxi, as luzes se misturavam à chuva que caía com força, enquanto dentro de mim outra tempestade começava a se formar.
Encostei a testa no vidro frio e fechei os olhos por um momento, tentando controlar a respiração que saía irregular demais, como se cada tentativa de inspirar trouxesse junto o peso de tudo o que havia acontecido naquela noite.
Talvez eu estivesse exagerando.
Talvez estivesse sendo injusta.
Talvez estivesse sendo simplesmente… ridícula.
Minha mão deslizou lentamente até o ventre, repousando ali com cuidado instintivo enquanto eu acariciava a barriga ainda plana, como se aquele gesto silencioso pudesse me lembrar de que havia algo muito maior do que o medo que naquele momento parecia dominar todos os meus pensamentos.
— Eu sei… — murmurei baixinho, quase sem voz, como se estivesse falando tanto comigo mesma quanto com a pequena vida que crescia dentro de mim.
Eu sabia que tinha sido impulsiva ao sair daquele salão daquela maneira, deixando Damian para trás sem sequer tentar explicar o que estava acontecendo dentro da minha cabeça.
Sabia que ele já havia me dado provas suficientes do que sentia por mim, provas claras demais para qualquer pessoa em sã consciência duvidar da força do que existia entre nós.
A lembrança da forma como ele havia reagido quando percebeu que eu tinha desaparecido mais cedo naquela noite voltou imediatamente à minha mente, trazendo com ela a imagem do olhar preocupado que ele lançou ao redor do salão enquanto me procurava entre os convidados.
Eu ainda conseguia ver o momento exato em que nossos olhos se encontraram novamente, o alívio imediato que apareceu no rosto dele. E depois… o gesto firme com que ele me puxou para si, envolvendo minha cintura com aquela segurança quase possessiva que deixava claro para qualquer pessoa ao redor exatamente qual era o lugar que eu ocupava ao lado dele.
O beijo que Damian me deu naquele instante não tinha sido apenas um gesto de carinho.
Tinha sido uma declaração.
Uma forma silenciosa, porém absolutamente inequívoca, de dizer ao mundo inteiro, e talvez também a Valentina, exatamente onde eu pertencia.
Eu sabia disso.
Sabia que Damian me amava.
Sabia que ele tinha sido paciente, cuidadoso, generoso comigo de uma maneira que eu nunca tinha experimentado antes em toda a minha vida.
Então por que aquele medo ainda estava ali?
Por que aquelas palavras continuavam ecoando dentro da minha cabeça como pequenas lâminas invisíveis?
"Parabéns pela conquista."
"Só tome cuidado para não perdê-lo."
Fechei os olhos com força enquanto a chuva batia cada vez mais forte contra o carro, tentando empurrar aquelas lembranças para longe antes que elas se tornassem maiores do que eu era capaz de suportar.
Talvez fossem os hormônios, o medo, ou simplesmente o fato de que, pela primeira vez na vida, eu amava alguém de uma forma tão intensa que a simples ideia de perdê-lo parecia capaz de me destruir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário