“O amor não transforma apenas duas pessoas. Ele transforma toda a casa ao redor delas.”
Elena ainda não fazia ideia do que Damian havia feito naquela manhã.
Porque, enquanto ela tomava café na cozinha da mansão Cavallari acreditando que a tempestade da noite anterior finalmente havia passado, alguém em outra parte da cidade estava descobrindo o que realmente acontece quando se mexe com alguém que ele ama.
O som da porta principal da mansão se abrindo ecoou pelo hall amplo e silencioso alguns minutos depois, seguido pelo passo firme de Damian Cavallari atravessando o corredor enquanto afrouxava o nó da gravata com um gesto automático, ainda com a mente parcialmente presa aos compromissos que havia resolvido rapidamente na empresa, mas, acima de tudo, dominada pela única verdade que parecia ocupar todos os pensamentos dele desde a manhã.
O bebê.
A simples ideia daquela palavra parecia ter reorganizado completamente o mundo dentro do peito dele.
Por um breve instante, ainda no corredor, Damian diminuiu o passo porque percebeu que havia algo diferente no ar. A mansão raramente era silenciosa, mas aquilo não era apenas movimento normal.
Era animação, risos e vozes falando ao mesmo tempo. E então ele ouviu claramente:
— Eu acho que ele vai ser loirinho!
Damian franziu o cenho reconhecendo a voz da irmã e antes que pudesse processar completamente a frase, outra voz respondeu imediatamente, cheia de convicção:
— Se for menina, vai ter os olhos verdes da Lena.
Damian piscou devagar e sorriu ao reconhecer a voz doce e meiga da cunhada. Então caminhou mais alguns passos até a entrada da sala e parou. Porque a cena diante dele parecia algo saído de um daqueles momentos de família que ninguém planeja, mas que acabam se tornando inesquecíveis.
Elena estava sentada no sofá, envolvida por almofadas e por uma bandeja exageradamente cheia de frutas, pães e sucos, enquanto Maria organizava um copo de vitamina ao lado dela com aquele sorriso tranquilo de quem já havia decidido que, a partir daquele momento, a missão de alimentar aquela mulher seria levada extremamente a sério.
Beatrice gesticulava no meio da sala como se estivesse apresentando uma tese científica sobre genética familiar. E Sophia estava sentada no braço do sofá, inclinada para frente, olhando para a barriga de Elena com uma concentração quase solene.
Por um segundo inteiro ninguém percebeu que Damian estava ali. Até que Sophia levantou os olhos e um sorriso largo e autêntico surgiu nos lábios dela antes dela gritar:
— Tio Damian.
Imediatamente todos se viraram e por um segundo apenas, o silêncio tomou conta do local.
Beatrice piscou duas vezes.
Então abriu um sorriso enorme.
— Ah… pronto.
Damian cruzou os braços devagar enquanto os olhos azuis percorriam cada um deles antes de finalmente parar em Elena.
— Eu posso saber — perguntou com calma — por que a casa inteira parece estar discutindo o DNA do meu filho?
Elena mordeu o lábio, claramente tentando conter o riso. Beatrice levantou a mão imediatamente.
— Antes que você fique bravo, eu quero deixar claro que a culpa é dela.
Ela apontou para Elena.
— Fomos até o hospital e já marcamos uma consulta com uma obstetra, que sugeriu Elena coletar um exame de sangue chamado, sexagem fetal, para podermos descobrir se é um menino ou uma menina.
Damian arqueou uma sobrancelha.
— E …
— Ela disse que queria ir com você. — Beatrice fez um bico fofo e Sophia acompanhou a tia. — Não que eu não queira que você vá, mas eu queria te telefonar para você ir até o hospital se encontrar com a gente, mas a Elena não deixou.
Damian soltou uma pequena expiração pelo nariz enquanto apoiava o ombro no batente da porta por um segundo, como se estivesse absorvendo a cena inteira antes de reagir, e então cruzou os braços devagar, olhando primeiro para a irmã, depois para Elena e finalmente para Sophia, que o encarava com aqueles olhos enormes cheios de curiosidade infantil.
— Eu sou o pai — disse ele finalmente, com um tom que misturava falsa indignação e diversão contida. — E acredito que deveria ter o direito de participar de um evento importante como esse.
Sophia fez imediatamente um biquinho tão fofo que seria impossível para qualquer adulto da sala não sorrir.
— Eu sei, tio Damian… — respondeu ela com a maior naturalidade do mundo, balançando as perninhas enquanto continuava sentada no braço do sofá. — Por isso a gente estava querendo ligar pra você.
Ela apontou discretamente para a barriga de Elena.
— Nós só queríamos saber se o bebê vai se chamar Giulia ou Brandon.
Damian ergueu lentamente as sobrancelhas.
— Giulia… ou Brandon?
Ele olhou de Sophia para Elena, depois para Beatrice, claramente tentando entender em que momento exatamente aquela discussão havia avançado tanto sem que ele sequer estivesse presente.
— Vocês já…
Beatrice levantou a mão imediatamente, interrompendo.
— Em primeiro lugar, foi a Elena quem escolheu — declarou ela com a serenidade arrogante de alguém que sabia perfeitamente que estava comandando aquela conversa desde o início.
Elena levantou as mãos em rendição, rindo.
— Ei!
Mas Beatrice continuou, completamente ignorando o protesto.
— Fizemos uma lista com mais de cinquenta nomes — explicou ela — e depois de uma longa, séria e extremamente científica análise…

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