“Não é preciso levantar a voz quando se tem poder suficiente… para mudar as regras do jogo.”
Algumas horas depois
A primeira coisa que voltou à mente de Valentina naquela manhã não foi o som dos telefones da redação, nem o cheiro de café forte que sempre impregnava o ar daquele lugar.
Foi a voz de Beatrice Cavallari.
Suave.
Elegante.
Implacável.
— Prepare-se….
As palavras haviam sido ditas com uma calma quase irritante, acompanhadas daquele olhar sereno que parecia incapaz de se alterar, como se a mulher soubesse com absoluta certeza que o mundo sempre acabava obedecendo às regras da família que carregava no sobrenome.
— Porque meu irmão não costuma deixar dívidas emocionais em aberto.
Valentina havia passado a noite inteira tentando convencer a si mesma de que aquilo não passava de uma ameaça elegante, uma tentativa de intimidá-la com a velha estratégia aristocrática de quem acreditava que o poder de um nome era suficiente para assustar qualquer pessoa.
Mas, sentada agora diante da própria mesa na redação do jornal, ela começava a perceber que talvez tivesse subestimado algo muito mais perigoso do que palavras bem escolhidas.
Porque quando tudo começou a desmoronar ao redor dela, nada aconteceu de forma dramática.
O ambiente da redação estava exatamente como sempre. Teclados batendo sem parar, telefones tocando em intervalos irregulares, vozes atravessando a sala em discussões rápidas sobre pautas, prazos e manchetes enquanto jornalistas caminhavam entre as mesas com a pressa habitual de quem vivia em um mundo onde cada minuto significava uma nova notícia.
O cheiro de café forte pairava no ar.
Tudo parecia absolutamente normal.
Valentina estava terminando um artigo quando a porta do escritório do editor-chefe se abriu.
— Valentina.
Ela levantou os olhos.
— Pode vir aqui um minuto?
O tom dele parecia normal, educado e profissional. Mas havia algo no olhar dele que fez um pequeno alerta acender lentamente dentro dela.
Valentina se levantou da cadeira e caminhou até a sala do editor, entrou e fechou a porta atrás dela.
O editor estava parado perto da janela, olhando a cidade lá embaixo com as mãos nos bolsos, como se estivesse tentando reunir coragem antes de dizer alguma coisa que não gostaria de dizer.
— Sente-se.
Valentina franziu levemente a testa enquanto puxava a cadeira diante da mesa.
— O que houve?
Ele soltou um suspiro pesado. Então pegou um envelope e o colocou lentamente sobre a mesa.
— Recebi algumas ligações hoje cedo.
Valentina permaneceu em silêncio por um segundo.
— De quem?
O editor demorou um instante para responder.
— De pessoas que mantêm este jornal funcionando.
Valentina entendeu imediatamente e ajeitou a postura na cadeira tentando parecer tranquila.
— E?
O editor passou a mão pelo rosto.
— Todos disseram exatamente a mesma coisa.
O silêncio que caiu sobre a sala parecia mais pesado do que qualquer resposta.
— Enquanto você trabalhar aqui… eles retiram o apoio financeiro.
Valentina piscou devagar.
— Isso é ridículo.
— Eu sei.
— Então diga a eles para irem para o inferno.
O editor soltou uma pequena risada amarga.
— Se fosse apenas um… — Ele empurrou o envelope na direção dela. — São dezessete.
Valentina abriu o envelope e dentro havia cópias de e-mails.
Cancelamentos de contratos.
Suspensões de publicidade.
Patrocínios retirados.
Todos com exatamente a mesma frase. Enquanto Valentina Orsini fizer parte desta redação, encerramos nossa parceria.
Ela levantou os olhos lentamente.
— Quem fez isso?
O editor não respondeu, mas o silêncio dele foi suficiente e Valentina sentiu o estômago apertar ao lembrar do olhar calmo de calmo de Beatrice e das palavras que ela havia dito:
Prepare-se.
— Damian Cavallari… — sussurrou.
O editor assentiu devagar.
— Ele não pediu sua demissão.

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